Os principais índices acionários dos maiores mercados do mundo estão operando próximos das máximas históricas. Apesar disso, há sinais de estresse generalizado nos mercados.
Além disso, a volatilidade implícita permanece elevada, a fragilidade das ações avança e a dispersão entre papéis atinge níveis historicamente altos — um conjunto de fatores que sugere um ambiente de comportamento de bolha em uma situação mais instável do que os preços indicam.
Essa é a avaliação do relatório Global Equity Volatility Insights – Bubble behavior beneath the surface, produzido pela equipe de research do Bank of America (BofA).
Segundo o banco, o descompasso entre índices resilientes e indicadores de risco elevados é típico de períodos marcados por comportamento de bolha.
“Mesmo com os mercados acionários próximos aos recordes, medidas de volatilidade e fragilidade seguem elevadas, um padrão observado em outros episódios de instabilidade, como a bolha da internet”, afirma o BofA no relatório.
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Volatilidade elevada e dispersão recorde indicam fragilidade do mercado
O BofA destaca que um dos sinais mais claros dessa dinâmica é a sustentação da volatilidade, com o VIX acima de 17 mesmo com as bolsas próximas às máximas históricas.
“O suporte à volatilidade em níveis elevados, apesar dos preços altos, sugere um mercado mais frágil e sensível a choques”, diz o banco.
O relatório também aponta que a fragilidade das ações — métrica que mede a sensibilidade dos papéis a movimentos adversos — já supera os extremos registrados em 2025.
“A fragilidade atual ultrapassa os níveis observados no ano passado, indicando um aumento do risco idiossincrático mesmo sem uma correção ampla dos índices”, afirma o BofA.
Outro ponto de atenção é o comportamento dos investidores. Recuperações rápidas nas ações de tecnologia, como o snapback recente, refletem dinâmicas de FOMO (fear of missing out) e reforçam a estratégia de compra nas quedas.
“Movimentos de buy the dip continuam a sustentar os preços, mesmo em um ambiente de elevada incerteza sobre os vencedores de longo prazo”, avalia o banco.
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A dispersão de retornos aparece como mais um sinal relevante. Segundo o relatório, a dispersão permanece em níveis historicamente elevados, inclusive dentro do próprio setor de tecnologia.
“A reavaliação dos vencedores e perdedores do avanço da inteligência artificial tem elevado a dispersão e reduzido a correlação entre ações”, diz o BofA.
Na Europa, o banco observa um cenário semelhante. A volatilidade elevada em ações individuais contrasta com índices relativamente estáveis e retornos contidos.
“A combinação de baixa correlação e dispersão próxima a recordes tem impulsionado níveis históricos de fragilidade nos mercados acionários europeus”, afirma o relatório.
Para o BofA, o conjunto desses fatores indica que, apesar das bolsas em máximas históricas, sinais típicos de comportamento de bolha continuam a se acumular abaixo da superfície, deixando o mercado mais sensível a mudanças bruscas de humor e a choques inesperados.






