O mundo está no meio da maior transferência de riqueza já registrada. Segundo o Billionaire Ambitions Report 2025, do UBS, pelo menos US$ 5,9 trilhões devem ser transferidos para filhos de bilionários nos próximos 15 anos. Somando heranças indiretas, o valor global pode chegar a US$ 6,9 trilhões até 2040.
O movimento é impulsionado por dois vetores simultâneos: a criação acelerada de novos bilionários self-made e o avanço da sucessão patrimonial entre famílias multigeracionais. Apenas em 2025, 91 pessoas se tornaram bilionárias por herança, acumulando um recorde de US$ 297,8 bilhões, um salto de 36% em relação ao ano anterior.
Mas reduzir esse fenômeno a uma questão de volume financeiro é perder a parte mais relevante da história.
Herança sem dependência: o novo desejo das famílias bilionárias
O relatório revela uma mudança clara na visão dos próprios detentores de grandes fortunas. 82% dos bilionários afirmam que querem que seus filhos sejam bem-sucedidos de forma independente, sem depender exclusivamente da herança. Além disso, 67% esperam que os herdeiros sigam suas próprias paixões, enquanto apenas 43% desejam que os filhos deem continuidade direta aos negócios da família.
Na prática, isso desmonta o discurso tradicional de “manter o legado” como simples continuidade operacional. Para essa nova geração, legado passa menos por ocupar um cargo e mais por desenvolver autonomia, repertório e propósito.
Um dos entrevistados europeus resume bem essa mudança ao afirmar que, em um mundo de ciclos de disrupção mais rápidos, as famílias passaram a valorizar mais educação, resiliência e adaptabilidade do que a herança de posições formais.
O impacto direto no planejamento patrimonial
Para bankers e assessores, o recado é de que a sucessão patrimonial deixou de ser apenas uma engenharia jurídica e fiscal. O desafio agora é estruturar soluções que acomodem diferentes projetos de vida, geografias e horizontes de tempo.
Esse ponto se torna ainda mais complexo diante do aumento da longevidade. Mais de 80% dos bilionários esperam viver mais do que imaginavam há uma década, o que estende o ciclo de convivência entre gerações e exige revisões constantes de trusts, testamentos e estratégias de investimento.
Ao mesmo tempo, a alta mobilidade global, com 36% dos bilionários já tendo mudado de país ao menos uma vez, adiciona camadas regulatórias, tributárias e culturais ao processo sucessório.
Mais do que patrimônio, uma sucessão de mentalidade
A transferência de riqueza que está em curso não é apenas financeira. Ela carrega uma transição silenciosa de valores, expectativas e formas de se relacionar com o dinheiro. Para a nova geração de herdeiros, riqueza é meio, não fim.
Entender essa mudança é o que vai separar estruturas que apenas preservam capital daquelas que realmente funcionam ao longo de gerações.
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