A eleição presidencial brasileira já está no radar do mercado financeiro, e a precificação atual aponta 55% de probabilidade para a derrota de Lula e 45% para sua reeleição, segundo análise do Wells Fargo Economics divulgada nesta segunda-feira (9).
O banco projeta que “a direita política ainda vai derrotar Lula” nos próximos meses, com candidatos focados em responsabilidade fiscal ganhando força à medida que inflação elevada e volatilidade nos mercados locais levam eleitores a optarem por mudança de rumo.
Para o Wells Fargo, o cenário-base reflete insatisfação com gastos governamentais e busca por trajetória mais sustentável para a dívida pública.
“Candidatos focados em responsabilidade fiscal e em colocar a dívida do governo em trajetória mais sustentável ganham momentum, especialmente quando disciplina fiscal é enquadrada no contexto de cortes de gastos e em inflação mais suave, taxas de juros estáveis e mercados financeiros mais calmos”, afirma o relatório.
Segundo a instituição, figuras como Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas representam essa plataforma conservadora. Embora a maioria dos gastos orçamentários do Brasil seja rígida e difícil de ajustar sem emendas constitucionais, tentativas de reduzir despesas relacionadas à assistência social e ao setor público, além de privatizações de estatais, devem ser perseguidas.
Cenário Lula: populismo e volatilidade
No cenário alternativo, com vitória de Lula, o banco projeta continuidade de política fiscal frouxa e maior papel do Estado na economia.
“Um quarto mandato de Lula provavelmente seria similar às suas administrações anteriores”, prevê o Wells Fargo, destacando estímulo fiscal robusto, bancos de desenvolvimento liderados pelo BNDES oferecendo crédito subsidiado e gastos resilientes.
Contudo, o relatório alerta que “preocupações com dominância fiscal permanecem no topo da mente em outro governo liderado por Lula”, com o Banco Central virando mais cauteloso em cortes de juros para conter expectativas de inflação e depreciação cambial.
Impactos econômicos
Para 2026, o Wells Fargo projeta crescimento do PIB de aproximadamente 1,5% em ambos os cenários. No caso de vitória da direita, espera-se que ambiente mais favorável aos negócios atraia novos fluxos de capital e capex, impulsionando crescimento para 2%-2,5% em 2027.
Já em um governo Lula, política monetária restritiva combinada com cortes eleitorais de juros e política fiscal frouxa não conseguiriam compensar totalmente a atividade econômica mais fraca.
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