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Recuperação da Raízen e do GPA: bancos podem adotar provisões adicionais

Recuperação da Raízen e do GPA: bancos podem adotar provisões adicionais

Os grandes bancos já vinham monitorando a deterioração do perfil de crédito das duas empresas

Um montante total de R$ 70 bilhões está envolvido nos processos de recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) e do GPA (PCAR3), após vários trimestres de dificuldades financeiras. Os grandes bancos já vinham monitorando a deterioração do perfil de crédito das duas empresas. Ainda assim, provisões adicionais dos bancos às empresas podem ocorrer.

Segundo relatório da Genial, a expectativa é de que provisões tenham sido constituídas antecipadamente ao longo dos últimos trimestres, em linha com a política de reconhecimento tempestivo de perdas esperadas (PECLD) adotada pelas instituições após o ciclo recente de inadimplência corporativa.

Assim, o relatório aponta que dois pontos merecem atenção: o primeiro deles é relativo às provisões adicionais, que não estão descartadas. A depender dos termos finais da reestruturação — especialmente o haircut aplicado sobre o principal e os prazos de alongamento —, poderá haver necessidade de complemento de provisões ao longo do ano, ainda que em magnitude inferior ao provisionamento inicial.

O segundo ponto se refere à cobertura mais elevada. Segundo o relatório, mesmo após a renegociação, os ativos remanescentes deverão ser classificados com maior probabilidade de default, o que implica manutenção de provisões acima da média das carteiras adimplentes por um período prolongado.

Santander é o mais exposto

A exposição dos grandes bancos nacionais é relativamente contida quando comparada ao tamanho de seus balanços, apesar do grande volume de valor envolvido. Ainda assim, o Santander (SANB11) é o mais exposto em termos relativos, com R$ 2,25 bi devidos pela Raízen representando 2,35% de seu patrimônio líquido (PL).

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O Itaú (ITUB4), com exposição combinada de R$ 2,27 bi, somando as duas empresas, tem comprometimento de 1,16% do PL, seguido pelo Bradesco (BBDC4) com 1,21% (R$ 2,08 bi) e Banco do Brasil (BBAS3) com 0,54% (R$ 1,03 bi). O BTG (BPAC11), exposto apenas ao GPA com R$ 226 mi, tem impacto marginal de 0,32% do PL.

“Esses percentuais indicam que, mesmo em um cenário de haircut elevado, o impacto sobre a solvência dessas instituições seria administrável”, informa trecho do relatório.

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