Café
Home
Notícias
Economia
Por que ainda esperar que o Copom corte 50 pontos-base esta semana?

Por que ainda esperar que o Copom corte 50 pontos-base esta semana?

Essa é a avaliação da Ativa Investimentos, que mantém a projeção de redução de 50 pontos-base

O mercado financeiro segue dividido sobre o ritmo inicial do ciclo de flexibilização da política monetária no Brasil, mas ainda há espaço para que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova um corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic nesta semana. Essa é a avaliação da Ativa Investimentos, que mantém a projeção de redução de 50 pontos-base, mesmo diante de dados recentes mais fortes de atividade e da turbulência no mercado internacional de petróleo.

Segundo levantamento citado pela casa, há uma divisão quase equilibrada nas apostas do mercado. Entre os analistas consultados pelo jornal Valor Econômico, 53 esperam um corte de 25 pontos-base, enquanto 49 projetam um movimento mais agressivo de 50 pontos-base. Apenas um participante prevê a manutenção da taxa básica de juros no atual patamar.

Para a Ativa, no entanto, a intensidade atual da política monetária já é suficientemente restritiva para absorver os efeitos secundários de choques recentes de oferta, especialmente os relacionados ao petróleo. A avaliação é que a alta da commodity, intensificada por tensões geopolíticas e movimentos recentes ligados à política externa dos Estados Unidos, tende a ser temporária.

Leia também:

Prévia comunicação

Outro fator que sustenta a expectativa de corte maior é a própria comunicação prévia do Banco Central. A instituição já sinalizou a possibilidade de início do ciclo de afrouxamento e chegou a mencionar que um corte de 50 pontos-base poderia ser considerado cauteloso, dependendo da evolução do cenário.

Publicidade
Publicidade

Mesmo que o Copom opte por reduzir a Selic em meio ponto percentual, a autoridade monetária ainda pode adotar um tom mais duro na comunicação — o chamado viés hawkish — para reforçar o compromisso com o controle da inflação.

Nas estimativas da Ativa, os modelos condicionais utilizados pelo Banco Central indicam inflação dentro do intervalo de metas no horizonte relevante. O IPCA projetado para o segundo trimestre de 2027 ficaria entre 3,3% e 3,4%, patamar compatível com o regime de metas.

Além disso, os cálculos da autoridade monetária consideram a curva futura do petróleo. Apesar do preço elevado no curto prazo, essa curva aponta queda significativa ao longo dos próximos anos, com cotações abaixo de 70 dólares por barril no segundo trimestre de 2027.

A casa também chama atenção para as projeções relativamente tímidas de queda da Selic ao longo de 2026. Enquanto alguns analistas estimam a taxa básica em torno de 11% no fim do ciclo, a mediana das projeções do mercado aponta para 12,5%, ritmo que implicaria cortes médios inferiores a 50 pontos-base por reunião — algo incomum na história recente da política monetária brasileira.

Na visão da Ativa, o espaço para flexibilização pode ser maior. A instituição projeta a Selic encerrando o ano em 10,50%, cenário que pressupõe que os efeitos inflacionários da recente alta do petróleo não se prolonguem muito além de abril.