A Oncoclínicas (ONCO3) anunciou nesta segunda-feira (16) um termo não vinculativo com a Porto Seguro (PSSA3) para a criação de uma nova empresa – a NewCo – que concentraria as clínicas de oncologia e potencialmente o negócio de diagnóstico da companhia. Os hospitais ficariam de fora da estrutura. O acordo, se concluído, totalizaria R$ 1 bilhão em recursos frescos para a Oncoclínicas.
Para os analistas Márcio Osako e Larissa Monte, do Bradesco BBI, o anúncio é misto.
“A avaliação implícita da NewCo de até R$ 1,67 bilhão representa desconto de 20% frente ao valor de mercado atual da Oncoclínicas e de 47% em relação ao nosso preço-alvo”, apontam os analistas.
Contudo, reconhecem aspectos positivos relevantes na operação.
Estrutura do acordo
A transação prevê dois pilares financeiros. O primeiro é uma injeção de R$ 500 milhões em capital pela Porto Seguro, que assumiria pelo menos 30% do capital total e o controle do capital com direito a voto da NewCo.
O segundo é a emissão de R$ 500 milhões em debêntures conversíveis em ações ordinárias, a serem subscritas pela Porto Seguro, com vencimento em quatro anos e custo de 110% do CDI. As janelas de conversão começariam a partir do terceiro ano.
“O principal aspecto positivo é a melhoria na governança corporativa, com a Porto Seguro assumindo o controle”, destacam Osako e Monte.
Entretanto, os analistas ressaltam que o alívio financeiro é limitado: “a redução de alavancagem decorrente da injeção de R$ 500 milhões é relativamente pequena, de 18%, levando a dívida líquida para R$ 2,36 bilhões, ou 3,5 vezes o Ebitda anualizado do terceiro trimestre de 2025”, calculam.
Troca no comando financeiro
No entanto, o acordo não foi a única notícia do dia. A Oncoclínicas anunciou também a renúncia da vice-presidente executiva e CFO Camille Faria, contratada no mês passado. Marcel Cecchi, atual membro do Conselho de Administração e sócio da Latache Capital — que detém 15% do capital social da Oncoclínicas —, assumirá o cargo interinamente.
“Observamos que a Oncoclínicas e a Porto Seguro já firmaram uma joint venture 60/40 em dezembro de 2022, e a Porto é um dos principais pagadores da Oncoclínicas, respondendo por 7% a 8% da receita”, contextualizam Osako e Monte.
O acordo ainda está condicionado à capacidade da Oncoclínicas de concluir sua reestruturação de dívida — processo que segue em curso e define o ritmo de todo o projeto.
JPMorgan
Em outra análise, o JPMorgan reforçou a recomendação de venda para as ações da Oncoclínicas. Contudo, o banco manteve os papeis em uma lista de observação para potenciais desdobramentos positivos, como o acordo com a Porto Seguro.
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