Depois de dois anos jogando na defesa, corrigindo ineficiências, enxugando custos e reorganizando operações, o Grupo SBF (SBFG3) decidiu partir para o ataque. E o momento não poderia ser mais estratégico, a empresa entra nessa nova fase em um ano de Copa do Mundo, evento que historicamente aquece a demanda por artigos esportivos e que a companhia mira como um dos principais catalisadores de crescimento para 2026.
A avaliação é do BTG Pactual (BPAC11), que recebeu o CEO Gustavo Furtado para discutir as perspectivas do negócio após os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25).
“Nos últimos dois anos, a empresa trabalhou para corrigir ineficiências estruturais tanto na Centauro quanto na Fisia, priorizando produtividade das lojas, otimização de sortimento e uma organização comercial mais robusta”, avalia o banco.
Com o diagnóstico feito, o grupo implementou iniciativas concretas para destravar a demanda represada. Uma das mais visíveis foi o reforço de equipes: cerca de 900 novos vendedores — chamados internamente de “atletas” — foram contratados em 2025.
As vendas médias por funcionário permaneceram estáveis apesar do aumento do quadro, o que indica que as lojas deixavam escapar parte relevante da demanda por falta de pessoal.
O grupo também fortaleceu sua estrutura de merchandising, com compradores dedicados por categoria, e avançou no programa de reformas de lojas. Em 2025, nove unidades foram remodeladas e cresceram entre 9 e 13 pontos percentuais acima de lojas comparáveis na mesma região — resultado que superou as expectativas internas e levou a empresa a planejar 50 reformas para 2026.
“A estratégia da Centauro gira cada vez mais em torno da maximização da produtividade dentro de sua base de lojas existente, em vez de depender exclusivamente da expansão da presença física”, apontam os analistas.
Nike, Copa do Mundo e valuation reforçam tese de compra
Outro pilar da estratégia é a Fisia, operação responsável pela distribuição da Nike no Brasil. Para o BTG, esse ativo representa uma vantagem competitiva relevante: “controlar a distribuição da maior marca de artigos esportivos do mundo permite que a empresa capture valor em múltiplos canais, incluindo atacado, comércio digital e sua própria rede de varejo”, destaca o relatório.
As perspectivas para 2026 indicam trajetória mais favorável, mesmo com alguma pressão de margem no curto prazo. O banco cita investimentos em lojas, maiores gastos de marketing e avanços em logística como fatores que devem pesar temporariamente, mas avalia que “as perspectivas de crescimento de receita estão se fortalecendo”.
A Copa do Mundo surge como catalisador importante. A administração da companhia estima vender cerca de 850 mil camisas durante o torneio, com estratégia de preços desenhada para preservar margens. A lucratividade da Fisia também deve melhorar ao longo do ano, beneficiada por condições cambiais mais favoráveis.
Por fim, o BTG avalia que o valuation — a precificação de mercado da empresa — ainda não reflete esse cenário de melhora. Com SBFG3 negociada a cerca de seis vezes o lucro estimado para 2026, os analistas entendem que “o valuation não reflete totalmente a melhora nas perspectivas de crescimento da companhia” e mantêm recomendação de compra para o papel.
Leia também:






