A expectativa do Safra é de que a Ambev (ABEV3) apresente um quarto trimestre de 2025 (4TRI25) fraco, marcado por perda de tração operacional e pressão sobre os principais indicadores financeiros. A leitura negativa está ancorada, sobretudo, em volumes mais fracos, aumento do custo por hectolitro e em um ambiente macroeconômico ainda desafiador nas principais regiões onde a companhia atua.
No relatório de prévia de resultados, o banco aponta que a dinâmica desfavorável da indústria de bebidas, combinada a condições climáticas adversas no Brasil, deve impactar o desempenho operacional da companhia no período.
Na avaliação do Safra, esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que o trimestre “não desce redondo”, mesmo com algum alívio vindo da linha de impostos.
Um 4TRI25 fraco em todas as regiões
Segundo o Safra, a Ambev deve reportar resultados operacionais mais fracos no quarto trimestre, com queda do EBITDA consolidado na comparação anual. O banco atribui esse desempenho principalmente a menores volumes e ao aumento do COGS por hectolitro, em um cenário no qual a indústria segue pressionada na maior parte dos mercados em que a empresa atua.
O relatório destaca que as condições macroeconômicas difíceis, observadas em diferentes unidades de negócios, continuam limitando a recuperação da demanda. Além disso, a expectativa é de que os resultados financeiros líquidos também piorem, em função de maiores custos de carrego cambial, o que deve apenas parcialmente ser compensado por uma menor alíquota de imposto de renda.
“Esperamos que a Ambev apresente resultados fracos no 4TRI25, impulsionados por menores volumes e maior COGS por hectolitro. De forma geral, as condições macroeconômicas difíceis na maioria das unidades de negócio em que a Ambev atua devem continuar pressionando a indústria”, afirmou o Safra, em relatório.
Brasil concentra os principais vetores negativos
Na leitura do Safra, o Brasil segue como o principal ponto de pressão sobre os resultados da Ambev no trimestre. O banco projeta queda de 4,2% nos volumes de Cerveja Brasil, refletindo tanto o ambiente macroeconômico desfavorável quanto as condições climáticas ainda adversas, apesar do bom desempenho das marcas premium.
O segmento de bebidas não alcoólicas (NAB) também deve apresentar um trimestre mais fraco, com recuo de 7% nos volumes e compressão de margens. A expectativa é de que a margem do segmento fique em 31,0%, uma queda de 164 pontos-base na comparação anual.
Os dados mais recentes da Produção Industrial Mensal (PIM-PF) reforçam essa leitura. De acordo com o IBGE, a produção de bebidas alcoólicas encerrou o 4T25 em níveis historicamente baixos, o que, segundo o Safra, tende a se refletir diretamente no desempenho da unidade de Cerveja Brasil da Ambev.
América Latina e Canadá seguem sem tração
Fora do Brasil, o Safra também não identifica vetores relevantes de melhora no curto prazo. Na América Central e Caribe (CAC), o banco espera um desempenho ainda fraco, pressionado pelo cenário macroeconômico em países como República Dominicana e Panamá, com queda de 4% na receita e margem EBITDA estimada em 44,0%.
Na América Latina Sul (LAS), o ambiente desafiador da Argentina continua sendo o principal fator de pressão, apesar de condições mais saudáveis em outros países da região. O Safra projeta margem EBITDA de 37,2%, com leve melhora na comparação anual, enquanto destaca que, na Bolívia, os maiores custos de carrego seguem impactando negativamente os resultados financeiros.
Já no Canadá, a indústria cervejeira permanece fraca, sem sinais de recuperação no trimestre. O banco estima queda de 3% nos volumes e margem de 25,0%, reforçando a leitura de que o país continua atuando como um vento contrário para os resultados consolidados da companhia.
Abaixo da linha: financeiro pior, imposto ajuda
Além da pressão operacional, o Safra aponta que os resultados financeiros líquidos da Ambev devem piorar no 4T25, principalmente por conta dos custos de carrego cambial. Ainda assim, o banco destaca que uma menor alíquota de imposto de renda deve ajudar a sustentar o lucro líquido no período.
Com isso, a expectativa é de que o lucro líquido fique praticamente estável na comparação anual, mesmo com a queda do EBITDA. A margem líquida estimada pelo Safra é de 19,0%, uma alta de 77 pontos-base em relação ao mesmo período do ano anterior.
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Apesar da leitura negativa para o quarto trimestre, o Safra manteve recomendação neutra para as ações da Ambev. Segundo o banco, a avaliação atual do papel não oferece grande assimetria sob a ótica de risco-retorno, ao mesmo tempo em que o cenário para 2026 é visto como mais favorável.
Entre os fatores citados estão uma base de comparação mais fácil, um calendário mais favorável e o potencial impulso de demanda associado à Copa do Mundo de 2026, que tende a beneficiar os volumes de cerveja.
Para o Safra, esses elementos podem contribuir para uma melhora do momentum de resultados no próximo ano, mesmo após um 4TRI25 considerado fraco.






