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Oscar Schimidt, o Mão Santa, também foi campeão da motivação

Oscar Schimidt, o Mão Santa, também foi campeão da motivação

O Mão Santa era um brasileiro com orgulho e chegou a recusar a jogar pela NBA – o campeonato de basquete norte-americano.

Nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, morreu o ex-jogador de basquete Oscar Schimidt, conhecido como Mão Santa. O ex-camisa 14 da Seleção Brasileira, estava internado em um hospital em Santana do Parnaíba. Além de ser campeão nas quadras, ele também se destacou como palestrante motivacional.

Oscar foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana (HMSA), próximo de onde ele morava em Alphaville, ao passar mal em casa. Depois, foi levado a uma unidade maior em Santana do Parnaíba, e seu falecimento foi confirmado no fim da tarde. O Mão Santa era um brasileiro com orgulho e chegou a recusar a jogar pela NBA – o campeonato de basquete norte-americano – para não ficar longe do Brasil.

Após participar da Olimpíada de Los Angeles, em 1984, Oscar foi procurado pelo New Jersey Nets, que desejava contratá-lo. Na época, no entanto, as regras da FIBA estabeleciam que jogadores que atuassem pela NBA perdessem o status de “amador”, passando a serem considerados profissionais, e ficassem então proibidos de defender a seleção de seus respectivos países. Devido à essa proibição e para não fechar as portas da seleção do Brasil, Oscar recusou o convite.

Em 2017, mais de 30 anos depois e com a franquia tendo mudado de nome, o Brooklyn Nets resolveu homenagear Oscar lançando uma camisa com seu nome e seu número. Oscar compareceu ao evento, em Nova York, sendo recebido como um ídolo, com direito a sessão de autógrafos na loja oficial do Brooklyn, entrega de uma camisa emoldurada em quadra e até mesmo fotos e frases no telão da arena.

Os investimentos de Oscar

Atuando em times da Europa, sobretudo na Itália, Oscar conseguiu valorizar seu passe como jogador, o que deu a ele condições de negociar contratos mais vantajosos do ponto de vista financeiro. Entre os principais investimentos do Mão Santa ao longo de sua vida, foi em imóveis, indicando que ele sempre deu preferência por retornos mais seguros, embora menos arriscados.

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Com isso, a renda passiva permitiu a ele, formar um patrimônio com o qual pudesse se manter ao parar de jogar de forma profissional. Depois, ao passar a fazer palestras, passou a cobrar até R$ 40 mil por aparição em eventos.

Hall of Fame da NBA

Apesar de não ter atuado por times dos Estados Unidos, o brasileiro teve seu nome incluído no Hall of Fame do basquete dos EUA. Isso se deu em 2013, cerca de 26 anos depois dele ter sido um dos principais responsáveis por ter feito do Brasil a primeira seleção de fora a derrotar o Dream Team norte-americano em solo estadunidense, na final dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis (EUA).

Mais recentemente, em outubro de 2022 Oscar alcançou mais uma marca em sua carreira: entrou no récem-criado Hall da Fama da Espanha – Oscar foi apenas o segundo atleta internacional a entrar no seleto hall espanhol, tendo sido precedido por Arvydas Sabonis, que entrou no ano anterior.

Durante a cerimônia, Oscar recebeu das mãos do presidente da Federação Espanhola de Basquete, George Garbajosa, uma bola comemorativa.

Números da carreira

Os dados da carreira de Oscar são grandiosos. Como profissional pela seleção brasileira, marcou 7.693 pontos em 326 jogos, tendo 23,5 de média; em sua carreira, como um todo, incluindo seleção e clubes, foram 49.737 pontos em 1.615 jogos, sendo 30,7 de média.

Além do Pan-Americano de 87, participou ainda do Sul-Americano profissional de 1983; dos Jogos Olímpicos de 88,92 e 96; da Copa América de 84, 88, 92, 92 e 95; pelo Mundial de 1990; e pelo torneio de Goodwill, também de 1990.

Após encerrar a carreira, o Mão Santa dedicou-se ao mundo dos negócios, primeiro como empresário, sendo dirigente do Telemar Rio de Janeiro, time carioca com o qual conquistou um campeonato carioca; e um campeonato brasileiro.

Já pelo Barueri, ficou à frente do clube em apenas um torneio. Depois dessa experiência como dirigente, decidiu dedicar-se às palestras motivacionais e capacitação humana para os desafios da vida, aproveitando toda sua experiência no basquete nas apresentações.

Desde que se tornou palestrante, Oscar já foi indicado oito vezes para o prêmio Top of Mind de Melhor Palestrante, tendo ganhado em cinco ocasiões.

“Oscar Schmidt não foi apenas um jogador extraordinário. Foi a definição de entrega, de paixão e de compromisso com o esporte. Sua história não se resume a recordes ou conquistas, mas à forma como jogou, com coragem, convicção e amor incondicional ao basquete”, diz trecho da nota da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).

Oscar foi o único jogador de basquete que conseguiu unir, em uma única torcida o país do futebol, em diversos torneios. E após sua aposentadoria das quadras, o basquete nacional jamais foi o mesmo.

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