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Crise no GNL beneficia geradoras elétricas; veja quais

Crise no GNL beneficia geradoras elétricas; veja quais

A guerra no Irã provoca uma alta estrutural dos preços internacionais do GNL, cujo mercado é altamente dependente de cadeias logísticas contínuas

A guerra no Irã provoca uma alta estrutural dos preços internacionais do GNL – Gás Natural Liquefeito –, cujo mercado é altamente dependente de cadeias logísticas contínuas. Isso porque a interrupção do tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz comprometeu a rota responsável por 20% de todo o GNL do planeta. Com isso, de acordo com relatório do Bradesco BBI, empresas geradoras hidrelétricas com capacidade energética descontratada no Brasil tendem a ser beneficiadas como é o caso da Axia (AXIA3).

O relatório aponta ainda que outra companhia que pode ser considerada vencedora nesse cenário é a Eneva (ENEV3), graças à sua vantagem de produzir parte do gás natural consumido em suas usinas termelétricas nos campos de gás da Bacia do Parnaíba, no Nordeste.

“Por outro lado, a Petrobras, que possui terminais de GNL e usualmente enfrenta preços spot atrelados ao TTF, não tem importado volumes relevantes — mas pode se beneficiar indiretamente caso o encarecimento estrutural do GNL sustente um reajuste dos contratos de venda de gás natural, hoje vinculados majoritariamente a 11–12% do Brent, possivelmente abrindo espaço para níveis mais altos”, explica parte do relatório.

E acrescentando que outras comercializadoras como PetroReconcavo (RECV3) e Brava (BRAV3) poderiam ser favorecidas.

Impactos negativos

Por outro lado, o maior impacto negativo cairia sobre produtores agrícolas, principalmente aqueles ligados ao etanol. Isso porque haveria uma dificuldade em repassar custos mais elevados de fertilizantes e insumos, num ambiente em que o preço da gasolina permanece bem abaixo da paridade internacional.

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“No agregado, o choque no GNL tende a se traduzir em energia mais cara, custos agrícolas maiores e pressão adicional na matriz energética brasileira durante o período mais seco do ano”, avalia o relatório, assinado pelo analista Vicente Falanga.

O relatório aponta ainda que a interrupção dos fluxos de GNL do Catar provocou uma forte disparada nos preços na Ásia e na Europa, movimento comparável ao choque de oferta ocorrido na Europa em 2022, com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, devido à perda do gás russo.

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