Café
Home
Notícias
Economia
Taxa de desemprego sobe com sinais de deterioração qualitativa do dado

Taxa de desemprego sobe com sinais de deterioração qualitativa do dado

Para Stephan Kautz, da EQI Investimentos, alta da taxa em fevereiro indica piora qualitativa, embora renda robusta e informalidade contida ainda sustentem o quadro

A alta da taxa de desemprego para 5,8% em fevereiro veio acima do consenso do mercado, conforme indicou a Pnad Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (27). 

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, o indicador ainda mostra um mercado de trabalho aquecido, mas traz sinais de deterioração qualitativa, com avanço da desocupação, recuo da taxa de participação e início de uma trajetória de alta na série dessazonalizada.

O economista destacou que o resultado foi negativo do ponto de vista qualitativo porque a taxa de participação recuou de 62,1% para 61,9%, ao mesmo tempo em que houve aumento expressivo no número de desocupados. Na série dessazonalizada, a taxa também subiu, de 5,4% para 5,5%, o que sugere que a piora não ficou restrita apenas ao efeito de calendário.

Publicidade
Publicidade

Piora qualitativa da taxa de desemprego

A taxa de desocupação atingiu 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, com 6,2 milhões de pessoas em busca de trabalho, 600 mil a mais que no trimestre encerrado em janeiro. Ainda assim, o indicador segue no menor nível para um trimestre encerrado em fevereiro desde o início da série histórica, em 2012.

No recorte setorial, a piora se concentrou justamente em áreas destacadas por Stephan. O IBGE mostrou perda de 696 mil postos em administração pública, defesa, seguridade, educação, saúde e serviços sociais, além de corte de 245 mil vagas na construção. Para o instituto, esse movimento teve peso sazonal, sobretudo por conta do encerramento de contratos temporários no setor público e da menor demanda por obras e reparos no começo do ano.

“Os dados de fevereiro ainda apontam para um mercado de trabalho aquecido, mas já sinalizam uma deterioração qualitativa, com o desemprego iniciando trajetória de alta na série dessazonalizada. Ainda assim, o mercado de trabalho deve permanecer em níveis historicamente apertados, com renda robusta”, afirmou Kautz

Esse diagnóstico conversa com a leitura de outras fontes de mercado ouvidas sobre o dado. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avaliou que a alta do desemprego reflete sobretudo um ajuste sazonal, sem evidência relevante, até aqui, de impacto externo mais forte sobre o mercado de trabalho. Para ele, o hiato ainda segue fechado, o que limita espaço para cortes mais agressivos de juros.

O ponto que mais chama atenção do economista-chefe da EQI é que a perda de fôlego no emprego convive com uma renda ainda muito forte. O salário real médio cresceu 5,2% em um ano, renovando o recorde da série histórica, enquanto a informalidade ficou estável em 37,5%, o menor nível desde 2020, segundo destacou Stephan. 

O próprio IBGE mostrou rendimento médio recorde de R$ 3.679 no trimestre encerrado em fevereiro.

Leia também: