A Braskem (BRKM5) reportou um desempenho considerado fraco no 4TRI25, em linha com as expectativas do mercado, segundo análise do BTG Pactual. O período foi marcado por um cenário ainda desafiador para a indústria petroquímica global, com pressão sobre spreads, baixa demanda e limitações de liquidez.
Os dados reforçam que, mais do que a dinâmica operacional, a estrutura financeira da companhia segue no centro das atenções.
De acordo com o relatório do banco, o EBITDA recorrente da Braskem no 4TRI25 somou US$ 109 milhões, enquanto a empresa registrou consumo de caixa de US$ 206 milhões no trimestre. O desempenho reflete a continuidade de um ciclo de baixa prolongado no setor, além de custos elevados e menor utilização das plantas em algumas regiões.
Ciclo petroquímico segue pressionando resultados
O ambiente global continuou desfavorável no 4TRI25, com queda nos spreads petroquímicos e menor demanda, fatores que impactaram diretamente os resultados da Braskem. Segundo o release da companhia, o EBITDA consolidado caiu na comparação trimestral, pressionado principalmente pelo desempenho mais fraco no Brasil e resultados negativos nos Estados Unidos e Europa.
No mercado brasileiro, a redução na taxa de utilização das centrais petroquímicas, aliada à sazonalidade e à menor demanda por resinas e químicos, contribuiu para a queda do desempenho. Já nos EUA e Europa, o cenário de custos elevados e menor competitividade levou o segmento a registrar EBITDA negativo.
Apesar disso, o México apresentou melhora sequencial, impulsionado pelo aumento da disponibilidade de matéria-prima e maior taxa de utilização das plantas, o que ajudou parcialmente a compensar o cenário mais adverso em outras regiões.
Queima de caixa e pressão financeira
Um dos principais pontos de atenção no resultado da Braskem no 4TRI25 foi a forte queima de caixa. O consumo de US$ 206 milhões reflete não apenas o resultado operacional mais fraco, mas também despesas financeiras relevantes, investimentos e pagamentos relacionados ao caso de Alagoas.
Além disso, a alavancagem segue elevada. A dívida líquida atingiu cerca de US$ 7,5 bilhões, com uma relação dívida líquida/EBITDA de aproximadamente 14,7 vezes, nível considerado alto e que limita a flexibilidade financeira da companhia.
Embora a posição de caixa tenha melhorado após a captação de uma linha de crédito rotativa de US$ 1 bilhão, a liquidez ainda é vista como restrita, especialmente diante de vencimentos relevantes previstos para 2026.
Reestruturação e risco para acionistas
Mais do que os números operacionais, o foco dos investidores deve continuar voltado para a possível reestruturação da Braskem. Segundo o BTG, há expectativa de medidas como conversão de dívida em capital ou injeção de recursos, alternativas que podem melhorar a liquidez no curto prazo.
Por outro lado, essas iniciativas trazem risco de diluição para acionistas minoritários, o que adiciona incerteza ao case de investimento. O banco mantém visão cautelosa, destacando que o cenário ainda depende de uma combinação de recuperação operacional e ajustes na estrutura de capital.
Mesmo com possíveis melhorias pontuais, como preços mais favoráveis no Brasil e efeitos sazonais positivos, o relatório indica que o mercado tende a manter atenção redobrada sobre a capacidade da Braskem de atravessar o ciclo de baixa com equilíbrio financeiro.






