O fechamento do Estreito de Ormuz, caso continue, pode trazer um prejuízo astronômico para a indústria petrolífera mundial fazendo com que pelo menos 6 milhões de barris de petróleo por dia deixem de serem processados nas refinarias da Ásia. Além disso, o mercado de gás natural liquefeito (GNL) da mesma região enfrenta um choque de oferta, com a demanda podendo cair entre 4 e 5 milhões de toneladas até o terceiro trimestre de 2026. Essas análises são da consultoria Wood Mackenzie.
Com relação ao GNL, o fechamento do estreito reduziu em aproximadamente 1,5 milhão de toneladas (Mt) por semana (2,2 bilhões de metros cúbicos) o fornecimento global de GNL, o equivalente a 19% das exportações globais.
A análise da Wood Mackenzie pressupõe que o conflito interromperá o fornecimento de GNL para a Ásia por cerca de dois meses, de meados de março até pelo menos meados de maio, com a produção do Catar retornando gradualmente aos níveis pré-crise até o final de maio.
“Os preços spot do GNL na Ásia subiram acima de US$ 20 por milhão de BTU (mmbtu), passando de um desconto para um prêmio em relação aos preços europeus”, disse Miaoru Huang, diretor de pesquisa de gás e GNL para a Ásia-Pacífico da Wood Mackenzie.
GNL mais caro e valor da energia no Brasil
Diante desse cenário, o Itaú BBA prevê que os preços da energia no Brasil podem ser pressionados, uma vez que diversas usinas termelétricas utilizam GNL para serem abastecidas e o custo do combustível é repassado aos consumidores por meio do custo variável unitário (CVU), uma medida usada pelo setor de energia elétrica para balizar os preços.
Se isso ocorrer, mais de 35 usinas termelétricas, das 71 que o país possui em operação, poderiam sofrer os efeitos do aumento do GNL no mercado internacional devido à guerra no Irã. A Europa, buscando diminuir a dependência do gás russo, passou a comprar mais GNL desde 2022, mas agora tem de enfrentar um aumento de até 50% no preço que já é pago por lá.






