Café
Home
Notícias
Economia
Selic caiu para 14,75%: o que fazer agora? Entenda o cenário e como afeta os investimentos

Selic caiu para 14,75%: o que fazer agora? Entenda o cenário e como afeta os investimentos

Início do ciclo de cortes veio com cautela, e mercado já discute ritmo das próximas decisões; cenário externo deve ditar o passo da queda dos juros

O Banco Central (BC) reduziu a Selic para 14,75%, dando início ao ciclo de flexibilização monetária. Mais do que o corte em si, já esperado pelo mercado, o destaque ficou para os sinais sobre o ritmo das próximas decisões.

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos, o Comitê de Política Monetária (Copom) agiu com cautela diante do aumento das incertezas no cenário externo.

Kautz aponta que a escalada dos conflitos no Oriente Médio aumentou a volatilidade dos preços de commodities e fez com que o BC tenha feito uma leve revisão da projeção de inflação para 3,3% no horizonte. 

Apesar disso, o economista-chefe da EQI destaca que o BC sinalizou a continuidade do ciclo de quedas, indicando novo corte na próxima reunião.

A EQI mantém a projeção de que a Selic encerre o ano em 12,75%.

Publicidade
Publicidade

O que explica o início do ciclo de cortes

O comunicado do Copom indica que a decisão foi um equilíbrio entre fatores domésticos e externos.

De um lado, há sinais mais claros de desaceleração da atividade econômica, resultado do período prolongado de juros elevados. De outro, o ambiente global se tornou mais incerto, com impacto direto sobre expectativas de inflação.

Na avaliação de Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, o BC optou por manter o plano de iniciar o ciclo, mesmo diante do aumento das incertezas.

“O Banco Central tinha um plano de iniciar o ciclo de cortes e não abandonou essa estratégia. Diante do choque externo, a decisão foi seguir, mas em um ritmo mais cauteloso”, afirma.

O especialista do Daycoval reforça que a leitura é que o Copom buscou evitar uma interrupção no processo de flexibilização, ao mesmo tempo em que preserva margem de manobra diante do novo cenário.

Ritmo gradual deve marcar os próximos passos

Com o ciclo iniciado, o foco do mercado passa a ser a velocidade dos próximos cortes.

Para Raphael Vieira, co-head de investimentos da Arton Advisors, a decisão reforça que o BC não pretende acelerar o processo neste momento.

“O Copom começou a cortar juros, mas com uma estratégia claramente gradual e condicionada, indicando que a Selic deve permanecer em nível restritivo por mais tempo”, afirma.

Essa avaliação é compartilhada por outras casas, que veem o atual ritmo como uma resposta direta ao aumento das incertezas externas.

Na avaliação do Banco BV, o corte mais contido reflete o impacto do conflito geopolítico, mas não altera a trajetória de queda dos juros.

“O ritmo de 0,25 ponto percentual deve ser mantido nas próximas reuniões, mas pode ser ajustado caso o cenário externo melhore”, destaca a instituição.

O que pode mudar o cenário

A ausência de sinalização mais firme por parte do Banco Central foi interpretada como uma estratégia deliberada.

Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, o Copom optou por manter flexibilidade diante do nível elevado de incerteza.

“O ponto central da comunicação está na ênfase dada à incerteza. O Comitê indica que não há compromisso prévio com o ritmo do ciclo”, afirma.

Nesse contexto, o comportamento do petróleo e a evolução do conflito no Oriente Médio passam a ser determinantes para a condução da política monetária, ao lado da trajetória da inflação doméstica.

Leia também:

Impacto nos investimentos

Com o início do ciclo de cortes, o mercado começa a discutir os efeitos da queda da Selic sobre os diferentes ativos.

Na avaliação de Raphael Vieira, co-head de investimentos da Arton Advisors, o movimento tende a produzir ajustes iniciais na curva de juros e na bolsa, sem mudanças abruptas no curto prazo.

“A curva de juros pode apresentar fechamento nos trechos mais curtos, enquanto a bolsa tende a manter um viés construtivo, beneficiando setores mais sensíveis a juros”, afirma.

No caso da renda fixa, embora as casas não tenham detalhado estratégias específicas após a decisão, o nível ainda elevado da Selic mantém a classe atrativa, especialmente no curto prazo, mesmo com o início da flexibilização.

Já no câmbio, a leitura aparece de forma mais direta em parte das análises. O Banco BV destaca que o ambiente externo mais incerto, combinado à redução do diferencial de juros, tende a manter a moeda brasileira sob pressão.

“O aumento da incerteza global e a redução do diferencial de juros tendem a manter o câmbio mais pressionado”, afirma a instituição.