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Fed enfrenta “tempestade perfeita”: inflação em alta e guerra no radar

Fed enfrenta “tempestade perfeita”: inflação em alta e guerra no radar

O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% na reunião do Federal Open Market Committee (Fomc)

O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,5% e 3,75% na reunião do Federal Open Market Committee (Fomc), em linha com as expectativas do mercado. Apesar da previsibilidade, o encontro reforçou um ambiente de crescente incerteza, com divisão entre dirigentes e revisão para cima das projeções de inflação.

A decisão contou com dissidência do dirigente Stephen Miran, que defendeu um corte de 25 pontos-base. O comunicado, por sua vez, trouxe poucas alterações relevantes, destacando a estabilização do mercado de trabalho e incorporando preocupações com o conflito no Oriente Médio.

Segundo análise da Ativa Investimentos, o tom foi conservador, sem sinalizações claras sobre os próximos passos. A autoridade monetária optou por reforçar a dependência de dados, em um cenário no qual a alta do petróleo pode adicionar pressão inflacionária.

Na mesma linha, a estrategista da Nomad, Paula Zogbi, avalia que o Fed manteve a postura das reuniões anteriores, mesmo diante de novos riscos. O banco central indicou a possibilidade de um corte de 25 pontos-base ainda em 2026, mas revelou divisão interna: 12 membros projetam ao menos um corte adicional, enquanto sete defendem juros estáveis até o fim do ano. As projeções também indicam crescimento do PIB de 2,4%, acima dos 2,3% anteriores, mas com inflação mais elevada, o que pode sustentar juros altos por mais tempo e aumentar a aversão ao risco.

Avenue: incerteza presente

Já o estrategista-chefe da Avenue, William Castro Alves, destacou que o comunicado trouxe como principal novidade a inclusão explícita do termo “incerteza” associado ao conflito geopolítico. Segundo ele, o Fed reconhece o evento como potencial fator de desestabilização, mas sem indicar, neste momento, se o impacto será inflacionário ou prejudicial ao crescimento.

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Castro Alves ressaltou ainda que as principais mudanças ocorreram nas projeções econômicas. A estimativa para o índice de inflação PCE subiu de 2,4% para 2,7%, enquanto o núcleo passou de 2,5% para 2,7%, evidenciando maior pressão inflacionária. Apesar disso, as projeções para a taxa de juros ao fim de 2026 permaneceram inalteradas.

O Fed também revisou levemente para cima o crescimento esperado para 2026 e 2027, mantendo, no entanto, uma trajetória de inflação relativamente próxima da meta no horizonte mais longo. No curto prazo, porém, o choque inflacionário parece mais concentrado em 2026.

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