Rubens Menin tem uma frase que resume a cabeça dele: negócio bom tem propósito, escala e futuro. Foi assim com a MRV (MRVE3), que fundou em 1979 apostando em moradia popular, segmento que o mercado chamava de patinho feio, e transformou na maior construtora da América Latina. Foi assim com o Banco Inter, que começou como uma financeira regional em BH e hoje tem mais de 40 milhões de correntistas.
Foi assim com a CNN Brasil. É assim com o Atlético Mineiro, onde é o maior acionista da SAF. E é assim com o vinho.
Em 2018, esse mineiro de 70 anos que acumula US$ 2,1 bilhões no ranking da Forbes decidiu entrar no região do Douro, a mais tradicional do vinho em Portugal. Aportou € 65 milhões, construiu 185 hectares de vinhedos, e a Menin Wine Company já produz 600 mil garrafas por ano. Ele ainda não está satisfeito, quer chegar a 1 milhão.
“Pode ser o melhor vinho do mundo. Por que não?”, disse à Forbes Brasil em dezembro de 2025.
O lançamento mais recente dá uma boa dimensão de onde ele quer chegar. Chama-se Rubens Menin – Port Very Very Old Tawny, um vinho do Porto com cerca de 150 anos de origem, nascido de vinhas plantadas antes da filoxera, a praga que devastou os vinhedos europeus no século XIX. Vinhas em pé-franco, com castas praticamente extintas hoje: Malvasia Preta, Donzelinho Tinto, Cornifesto, Casculho. O enólogo Tiago Alves de Sousa estima que foram plantadas entre 1840 e 1850.
Ambição
Para entender o que isso significa, vale um contexto. Portos dessa idade são raríssimos mesmo entre as casas mais antigas e respeitadas do mundo. Em 2014, a Graham’s (fundada em 1820 e hoje parte do grupo Symington) lançou o Ne Oublie: um tawny de 1882, com 130 anos na época, em decanter de cristal artesanal numerado.
Foram apenas 656 garrafas a € 5.500 cada, considerado na época um dos vinhos mais caros já vendidos comercialmente. Já a Niepoort, fundada em 1842, chegou a leiloar um tawny de 1863 em decanter Lalique por US$ 134 mil no Sotheby’s de Hong Kong em 2019, batendo o recorde mundial de Porto em leilão documentado pelo Guinness World Records. Esses são os termos de comparação do mercado.
A Menin, com sete anos de Douro, entrou nessa conversa com 200 garrafas de 500 ml a € 10 mil cada, com cerca de 150 anos de envelhecimento. Vendidas somente em Portugal. Para o Brasil não vem: com os impostos daqui, chegaria a mais de R$ 150 mil por garrafa.
Chegar a esse vinho levou cinco anos de garimpo em adegas escondidas nas encostas do Douro, atrás de lotes preservados por gerações de pequenos viticultores, alguns guardados como o vinho do ano de nascimento de um filho. Com 150 anos de concentração, o açúcar chegava a 325 gramas por litro. O trabalho de equilibrar tudo isso sem perder elegância foi o que o próprio enólogo Tiago chama de ourivesaria.
O próprio Menin resume a lógica com a clareza de quem pensa como investidor: o estoque de Porto muito antigo é finito e está diminuindo. Oferta decrescente, demanda crescente nos melhores restaurantes do mundo.
A boa notícia para o mercado brasileiro é que a Menin lançou dois Portos de 80 anos, um Tawny e um Branco, que chegam ao Brasil com preço previsto de R$ 20 mil a garrafa. O tipo de garrafa que não envelhece mal nem na adega nem na conversa.
O cara que começou engraxando sapato em BH, apostou no patinho feio da construção e construiu um império agora joga no mesmo campeonato da Graham’s e da Niepoort. Conhecendo o histórico dele, dá para levar a sério.






