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Multifamily de luxo transforma o mercado imobiliário

Multifamily de luxo transforma o mercado imobiliário

Modelo de locação de alto padrão cresce entre a alta renda e movimenta bilhões no mercado imobiliário brasileiro

O multifamily de luxo, o mercado imobiliário premium e os aluguéis de alto padrão ganham força no Brasil, impulsionados por uma mudança no comportamento da alta renda.

O modelo, baseado em empreendimentos destinados exclusivamente à locação com gestão profissional, começa a redefinir a lógica tradicional de moradia no país.

Durante décadas, o aluguel foi visto como uma etapa temporária. No entanto, esse paradigma muda no topo do mercado. Empresários, executivos e profissionais liberais passam a optar por imóveis alugados de alto padrão, priorizando flexibilidade e eficiência financeira.

Esse movimento consolida um novo nicho premium no Brasil, alinhado a tendências internacionais e cada vez mais presente nos grandes centros urbanos.

Um mercado ainda em formação

Apesar do avanço, o multifamily ainda é incipiente no país. De acordo com a Forbes, o Brasil conta com cerca de 20 mil unidades, concentradas principalmente no Sudeste, com destaque para São Paulo. O número ainda é pequeno em comparação a mercados mais maduros, como Estados Unidos e México.

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Para Gustavo Favaron, CEO do Global Real Estate and Infrastructure Institute, o cenário econômico global favorece o crescimento do modelo. Ele aponta uma “tempestade perfeita” no acesso à moradia, marcada por juros elevados, custos crescentes e pressão sobre a renda.

Mesmo assim, no segmento de alta renda, o multifamily já se consolida como uma alternativa relevante, seja para moradia temporária ou permanente.

Aluguéis milionários e nova lógica financeira

Os valores reforçam o caráter premium do segmento. Empreendimentos como Vila 11 registram aluguéis de até R$ 18 mil, enquanto unidades operadas pela Brookfield chegam a cerca de R$ 40 mil. No topo, imóveis da JFL podem alcançar aproximadamente R$ 120 mil mensais.

Por trás dessa escolha está uma lógica financeira clara. Em um cenário de juros elevados, muitos preferem manter o capital investido. “O investidor que tem dinheiro aplicado hoje, só com o rendimento já paga o aluguel. Por que comprar um imóvel, imobilizar capital?”, afirma André Lucarelli, vice-presidente da Brookfield, à Forbes.

Esse comportamento também é observado pelos operadores. “O pessoal de renda mais alta sabe fazer conta e não está mais nesse movimento de financiar ou comprar”, diz Ricardo Laham, CEO da Vila 11.

Além disso, o perfil do morador difere do aluguel de curta duração. “O nosso morador não fica 10 dias. As unidades são pensadas como casas”, explica Lucas Messias Cardoso, da JFL.

Conveniência redefine o conceito de luxo

Além da lógica financeira, a conveniência é um dos principais motores do multifamily de luxo. Nesse modelo, despesas como aluguel, condomínio, IPTU e serviços são unificadas em uma única cobrança mensal.

“Nessa nossa visão de luxo, a gente devolve tempo ao morador. É um boleto só”, afirma Cardoso. A simplificação da rotina se torna um diferencial relevante para um público com alta demanda profissional.

O perfil dos moradores inclui executivos entre 35 e 55 anos, com grande mobilidade entre cidades e países. Nesse contexto, localização estratégica e flexibilidade contratual são fatores decisivos.

Investimentos bilionários e desafios do setor

O crescimento do multifamily de luxo também atrai grandes investimentos. Fundos internacionais e incorporadoras ampliam sua presença em regiões como Faria Lima, Itaim Bibi e Vila Olímpia, consolidando São Paulo como principal polo do segmento.

Segundo a Forbes, empresas como Brookfield, JFL e Vila 11 vêm expandindo operações com bilhões em capital investido e milhares de unidades em desenvolvimento.

Apesar do potencial, há desafios. “O terreno onde estamos foi comprado em 2019 por R$ 20 mil o metro quadrado. Hoje, vale R$ 60 mil”, afirma Laham, destacando a valorização acelerada e a escassez de áreas.

Ainda assim, a expectativa é positiva. Para Roberta Carmona, da Vitacon, o avanço é inevitável. “O multifamily tem grande potencial porque as pessoas querem acesso à moradia de qualidade sem necessariamente comprar o imóvel”, afirma.

Hoje, o modelo representa pouco mais de 1% das locações em São Paulo, o que indica amplo espaço para crescimento nos próximos anos.