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Petróleo dispara 40% no mês e ameaça empurrar economias globais para recessão

Petróleo dispara 40% no mês e ameaça empurrar economias globais para recessão

A disparada do petróleo, que já acumula alta de cerca de 40% no mês e atingiu os US$ 120 por barril em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz, acendeu um alerta nos mercados globais

A disparada do petróleo, que já acumula alta de cerca de 40% no mês e atingiu os US$ 120 por barril em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz, acendeu um alerta nos mercados globais: caso o choque de oferta persista, o avanço da commodity pode deixar de ser apenas um fator inflacionário e passar a representar um risco concreto de recessão em grandes economias. Os dados estão em um relatório do BB Investimentos.

Segundo o documento, o prolongamento do conflito no Oriente Médio e a manutenção do bloqueio do Estreito fizeram o petróleo ter a maior variação da história, chegando a US$ 120/barril, praticamente dobrando de preço em relação ao início do ano, e acumulando alta de 40% somente neste mês. Mesmo após o anúncio de liberação de estoques pelo G7 e de declarações de possível fim da guerra, a commodity segue acima dos US$ 100.

“No Brasil, o cenário aumentou a defasagem entre os preços da Petrobras e os internacionais, em especial para o diesel, seguindo a política de preços da empresa de não repasse da volatilidade externa, com a realização de leilões de oferta suplementar em regiões com déficit de derivados”, diz trecho do relatório.

Simulações

O relatório diz ainda que simulações feita pela Oxford Economics indicam que, se o Brent permanecer em torno de US$ 140/barril por dois meses, o choque energético, somado ao aperto financeiro e novas interrupções logísticas, seria suficiente para levar a Zona do Euro, o Reino Unido e o Japão a recessões leves, enquanto os EUA chegariam próximo a uma estagnação, com desemprego em alta e forte impacto na inflação global.

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Por oiutro lado, um cenário mais moderado, com US$ 100 o barril por dois meses, elevaria a inflação e reduziria marginalmente o crescimento global, mas evitaria recessões. Tal dinâmica sugere que o risco está na persistência do conflito, e não apenas no nível pontual dos preços elevados do petróleo.

Mesmo após a maior liberação de estoques já realizada pela Agência Internacional de Energia (AIE), de 400 milhões de barris, novas ofertas de estoques poderão ser adicionadas ao mercado “se necessário”. Ainda restam mais de 1,4 bilhão de barris nas reservas de emergência dos membros, mas a liberação de estoques feitas responde por algumas semanas do atual déficit, ou seja, um conflito prolongado pode trazer a commodity para novas máximas.

E no Brasil?

Por aqui, o governo anunciou um pacote emergencial de R$ 30 bilhões para conter a alta do diesel, combinando isenção de PIS/Cofins e subvenção direta ao combustível, financiado por um novo imposto sobre exportações de petróleo e derivados. As medidas criaram condições para que a Petrobras (PETR3; PETR4) atualizasse seus preços, resultando em um reajuste de 11,6% no diesel (para R$ 3,65/litro) com a estatal aderindo ao programa de subvenção para reduzir o impacto ao consumidor. Para a Petrobras, a medida colaborou para atenuar a elevada diferença em relação à paridade internacional, ainda que tenha impacto adverso nas exportações devido ao novo tributo, segundo avalia o relatório.

Para as petroleiras independentes, o tributo sobre exportação deve reduzir parte dos ganhos extraordinários com a alta da commodity, com discussões sobre judicialização. Já para as refinarias privadas, há claros benefícios, já que o imposto sobre exportações incentiva o maior uso do petróleo produzido no país para processamento interno, corrigindo distorções tributárias que historicamente tornavam mais vantajoso exportar óleo bruto.