A China detém um “quase monopólio” no setor de terras raras, controlando toda a separação de elementos pesados (HREE) e a maior parte dos elementos leves (LREE), o que levou à sua dominação nos segmentos downstream de ligas e fabricação de ímãs. No entanto, o Brasil possui uma das maiores reservas mundiais de terras raras e pode se tornar o próximo grande produtor em escala global, segundo análise do Bank of America divulgada neste domingo (15).
O relatório destaca que, embora o Brasil “detenha uma das maiores reservas de terras raras do mundo, permanece amplamente ausente das cadeias de suprimento globais. O país produz volumes baixos e captura pouco valor do processamento downstream”. Esta desconexão entre potencial geológico e relevância industrial pode estar começando a mudar.
Vulnerabilidade da cadeia
A cadeia de suprimento de terras raras abrange tudo, desde mineração e separação até fabricação de ligas, metais e eventual manufatura em catalisadores, ímãs e outros produtos. Embora a mineração seja relativamente simples, a separação de concentrado para óxido não é, refletindo barreiras financeiras e técnicas, além de impactos ambientais significativos.
Segundo o USGS (United States Geological Survey), a China detém aproximadamente 49% das reservas globais, seguida pelo Brasil (23%), Índia, Austrália, Vietnã, Rússia e Estados Unidos.
No lado da produção, a China responde por cerca de 69% da produção global de óxido de terras raras não separado (REO), com EUA e Austrália fornecendo aproximadamente 15% combinados. Esta incompatibilidade entre localização de reservas e processamento representa uma vulnerabilidade do ecossistema de terras raras.
Potencial brasileiro
Nos últimos anos, o Brasil começou a enquadrar terras raras como minerais estratégicos, mobilizando capital público, coordenação regulatória e planejamento industrial em estágio inicial. Ao mesmo tempo, um pipeline crescente de projetos (particularmente depósitos de argila iônica) está progredindo da exploração para estágios piloto e de desenvolvimento.
O Brasil detém reservas de óxidos de terras raras de aproximadamente 21 milhões de toneladas, cerca de 24% das reservas globais, com uma base de recursos ainda maior que poderia expandir o fornecimento futuro. Geologicamente, o país se destaca por seus depósitos de argila de adsorção iônica, tipicamente mais ricos em terras raras magnéticas de alto valor como NdPr (Neodímio + Praseodímio), Dy (Disprósio) e Tb (Térbio), essenciais para ímãs permanentes e com forte relevância estratégica.
Embora o Brasil ainda não seja um produtor significativo e uma ampliação rápida não esteja garantida, o BofA avalia que “sua capacidade de se tornar relevante no fornecimento dependerá menos da geologia e mais de sua capacidade de aliviar gargalos de processamento, atrair investimentos e sequenciar o desenvolvimento de projetos de forma pragmática”.






