A Revolut está construindo seu caminho para uma abertura de capital, mas sem pressa. O CEO Nik Storonsky reafirmou à Bloomberg que um eventual IPO ainda está “a dois anos de distância” – sinalizando que a oferta não deve ocorrer antes de 2028 -, enquanto a empresa mira valuation de US$ 200 bilhões para a listagem.
A análise é dos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale, do BTG Pactual, que acompanharam os desdobramentos recentes sobre a trajetória da fintech britânica.
“A mensagem central é que a administração continua a enquadrar o IPO como um marco estratégico, mas não imminente“, destacam os analistas, que apontam a agenda regulatória, eventos privados de liquidez e a expansão bancária — especialmente nos Estados Unidos — como as prioridades de curto prazo da companhia.
Crescimento acelerado e nova licença bancária
Os números mais recentes reforçam a solidez da operação. Em 2025, a Revolut registrou receita de £ 4,5 bilhões e lucro antes de impostos de £ 1,7 bilhão — alta de 57% na comparação anual. A base de clientes superou 65 milhões globalmente.
“O crescimento dos lucros foi sustentado por serviços premium, sugerindo progresso contínuo na monetização à medida que a plataforma escala“, observam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
No front regulatório, a obtenção da licença bancária plena no Reino Unido é apontada como marco relevante, pois deve fortalecer a captação de depósitos e as credenciais da empresa em outras jurisdições. Em paralelo, a Revolut solicitou licença bancária nos Estados Unidos, o que permitiria acesso direto aos sistemas de pagamento do Federal Reserve e a oferta de produtos como empréstimos pessoais e cartões de crédito.
“O processo de autorização pode levar até um ano, embora a meta interna da empresa seja de quatro meses”, detalham os analistas.
Rodadas secundárias como ponte para o IPO
Antes da listagem, a Revolut deve realizar novas vendas secundárias de ações – prática adotada a cada um ou dois anos para dar liquidez a funcionários e investidores iniciais. A última transação, concluída em novembro, avaliou a empresa em US$ 75 bilhões, ante US$ 45 bilhões um ano antes. A próxima rodada, esperada ainda em 2025, pode valorizar a companhia em mais de US$ 100 bilhões.
Um detalhe chama atenção na estrutura societária: “um IPO ao valuation de US$ 200 bilhões ativaria um mecanismo contratual que poderia elevar a participação de Storonsky para 40% da companhia”, alertam os analistas do BTG.






