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Carros chineses e depreciação: BTG mapeia riscos e oportunidades na Localiza

Carros chineses e depreciação: BTG mapeia riscos e oportunidades na Localiza

Depreciação foi o principal vetor de revisões baixistas para a Localiza nos últimos anos, com três ciclos de impairment registrados em 2023, 2024 e 2025, mas analistas do BTG avaliam que a companhia chegou a um outlook mais estável

Os carros chineses voltaram ao centro do debate sobre a Localiza (RENT3), e o BTG Pactual dedicou um relatório de 29 páginas para destrinchar o tema. A conclusão dos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim é de que a chamada segunda onda de montadoras chinesas no Brasil deve ser menos disruptiva do que a primeira — e que a companhia chegou a um ponto de maior estabilidade.

A depreciação permanece uma variável-chave monitorada de perto pelos investidores no segmento de aluguel de veículos leves, mas é inerentemente a menos linear e a mais difícil de prever nesse segmento“, afirmam os analistas logo de início — reconhecendo a complexidade do tema que dominou a narrativa da Localiza nos últimos anos.

Três ciclos de impairment no retrovisor

Entre 2023 e 2025, a Localiza passou por três ciclos consecutivos de impairment na depreciação de sua frota, impulsionados em grande parte pela primeira onda de carros chineses no mercado brasileiro.

O fenômeno afetou simultaneamente três canais de transmissão: a pressão sobre os preços de veículos novos no mercado primário, o impacto na liquidez e no valor residual dos usados e as decisões de compra da própria Localiza para composição da frota.

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“Enquanto a primeira onda impactou os três canais simultaneamente e de forma inesperada, acreditamos que a segunda onda deve ser mais gradual e melhor absorvida pelo sistema”, avaliam Marquiori, Recchia e Alkmim. O argumento central é que o mercado já conhece o mecanismo — e isso muda tudo.

Contudo, o BTG ressalta que o pior ficou para trás.

“Acreditamos que a companhia chegou a um outlook mais estável, com base tanto em nossa avaliação mensal das condições de mercado quanto no desempenho da companhia no negócio de Seminovos”, destacam os analistas, referindo-se às margens de venda de carros usados como principal termômetro da saúde da depreciação.

Segunda onda mais previsível

A principal diferença entre os dois ciclos é o grau de surpresa.

“Diferentemente da primeira onda, essa chamada fase de segunda onda deve ser menos disruptiva e, portanto, representar menos risco de queda para nossas estimativas de lucro”, afirmam os analistas.

O BTG vai além e aponta que os efeitos de segunda ordem podem até ser favoráveis.

“Um mercado automotivo permanentemente mais competitivo e o impacto positivo de preços estruturalmente mais baixos no crescimento de longo prazo do aluguel de carros” são citados como potenciais benefícios indiretos de uma presença mais consolidada das montadoras chinesas no Brasil — transformando o que era visto como ameaça em possível catalisador para o setor.

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