O Mercado Livre (MELI34) sinalizou, em reunião recente com o Bradesco BBI, que segue confortável em operar com margens abaixo do pleno potencial no curto prazo. A companhia reiterou que o foco estratégico permanece em sustentar um ritmo robusto de crescimento, apoiado pelo alto dinamismo operacional da plataforma.
A administração confirmou conforto com a margem ajustada de EBIT projetada para o encerramento de 2025, equivalente a 9,0% no quarto trimestre de 2025, em base anual. O time de Relações com Investidores detalhou que parte relevante da pressão sobre as margens reflete investimentos estruturais, com retorno esperado no médio e longo prazo.
Investimentos pressionam margens
Entre os vetores citados estão o limiar mais baixo de frete grátis, a expansão do portfólio de cartões e iniciativas de cross border — oferta de itens com origem fora do país do comprador. O reforço do sortimento de produtos de venda direta, o chamado modelo 1P, também figura entre os fatores de pressão identificados pelo time de RI.
A tese do banco é que esses investimentos devem se converter em margens positivas à medida que ampliam o mercado endereçável e aumentam o engajamento dos usuários. No entanto, o efeito sobre os resultados de curto prazo é real e levou o Bradesco BBI a revisar suas estimativas para o primeiro trimestre de 2026 e para o ano completo de 2026.
Com base nas mensagens transmitidas pelo CFO e pelo time de RI, o banco reduziu o preço-alvo para o fim de 2026 de US$ 2.500 por ação. A revisão reflete, sobretudo, a calibragem das estimativas de margem — e não uma deterioração da tese estrutural sobre a companhia.
Tese de longo prazo preservada
O banco avalia que a ação foi penalizada por um movimento global de desvalorização temática no setor de tecnologia, e não por fatores específicos à companhia. Contudo, a percepção do Bradesco BBI é que a trajetória de criação de valor de longo prazo permanece bem ancorada.
A leitura construtiva se apoia na capacidade do Mercado Livre de combinar crescimento acelerado com retornos elevados ao longo do tempo — dinâmica considerada coerente com ciclos de investimento anteriores da própria companhia. Entretanto, o banco reconhece que o mercado tende a penalizar períodos de compressão de margem mesmo quando a estratégia subjacente é sólida.
Os vetores de rentabilidade de longo prazo, segundo o RI, seguem bem mapeados. A alavancagem operacional esperada com a maturação dos investimentos em logística, crédito e cross border sustenta a expectativa de expansão de margens nos próximos anos.
Com a revisão do modelo incorporando as mensagens mais recentes da gestão, o banco mantém recomendação outperform (compra) para os papéis do Mercado Livre (MELI34), sinalizando convicção na tese apesar do ajuste no preço-alvo.
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