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Leilões de energia: Tudo o que você precisa saber

Leilões de energia: Tudo o que você precisa saber

Desconto médio de 5,5% nos preços-teto garantiu retornos atrativos aos vencedores

O primeiro dia do leilão de capacidade de reserva 2026 (LRCAP), realizado ontem (18) pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), trouxe boas notícias para as empresas do setor elétrico cobertas pelo Banco Safra.

Com baixa competição e bons retornos, o evento contratou cerca de 19 GW (gigawatt) de capacidade a um desconto médio de 5,5% sobre os preços-teto. Para os analistas Daniel Travitzky, Carolina Carneiro e Ricardo Bello, o resultado foi amplamente positivo.

Este foi um grande leilão, com oportunidades para muitos players e baixa competição, o que garantiu bons retornos para as empresas que cobrimos”, afirmam os analistas.

A Eneva foi a maior vencedora em volume e em criação de valor.

“Para a Eneva, os novos projetos adicionariam um VPL (Valor Presente Líquido) total de aproximadamente R$ 5,50 por ação”, estimam Travitzky, Carneiro e Bello em análise preliminar.

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Eneva e Copel lideram os resultados

A Eneva (ENEV3) contratou 5.079 MW (megawatt) no total — 3.506 MW em novos projetos termelétricos a um preço médio de R$ 2.667 por MW/ano, 8% abaixo do teto, e 1.573 MW em usinas existentes a R$ 2.246 por MW/ano. A Copel (CPLE6) foi a grande surpresa do leilão.

“A Copel foi o segundo player mais beneficiado, colocando 1.863 MW em projetos de expansão de usinas hidrelétricas com bons retornos”, destacam os analistas.

O preço médio contratado foi de R$ 1.395 por MW/ano, 0,4% abaixo do teto.

“Para a Copel, os projetos de expansão adicionariam um VPL total de R$ 1,35 por ação”, calculam os analistas do Safra.

Entretanto, a Axia Energia (AXIA3; AXIA6) , a Engie (EGIE3) e a Orizon (ORZV3) também participaram com contratos relevantes. A Axia contratou 190 MW de expansão de usinas hidrelétricas exatamente no preço-teto de R$ 1.400 por MW/ano. A Engie fechou 196 MW a R$ 1.381 por MW/ano, 1,4% abaixo do teto.

“Para a Engie e a Axia, a adição não é significativa considerando seus portfólios completos”, ressaltam os analistas.

Orizon com fluxo de caixa mais longo

A Orizon contratou 53 MW de usinas existentes a R$ 2.224 por MW/ano, 2% abaixo do teto.

“Para a Orizon, chegamos inicialmente a R$ 2 por ação”, estima o Safra.

Contudo, os analistas ressaltam que o contrato garante fluxo de caixa mais longo para as unidades já em operação — um aspecto estratégico relevante para a companhia.

No entanto, as premissas do Safra para o cálculo de VPL e TIR (Taxa Interna de Retorno) assumem capex de R$ 5,1 milhões por MW para novos projetos termelétricos, alavancagem de 70% e custo de dívida em IPCA mais 6%.

“A margem Ebitda varia entre 45% e 90%, dependendo das condições de cada projeto”, detalham Travitzky, Carneiro e Bello.

“Nossa visão preliminar é positiva para todos os players sob nossa cobertura”, concluem os analistas — reforçando que a baixa competição e os descontos reduzidos sobre os preços-teto foram os grandes diferenciais de um leilão que entregou retornos sólidos para quem estava preparado.

Recomendações

A Engie segue com recomendação neutro e preço-alvo de R$ 33,50 por ação. A Eneva também recebe recomendação neutro, com preço-alvo de R$ 22,50.

No campo das recomendações de outperform (compra), o Safra aponta três nomes. A Copel tem preço-alvo de R$ 17,20. A Axia Energia possui dois preços-alvo — R$ 73,10 para AXIA3 e R$ 79,70 para AXIA6 —, refletindo as diferentes classes de ações da companhia. A Orizon fecha o grupo com preço-alvo de R$ 70,00.

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