Lideranças dos caminhoneiros, incluindo a Abrava e o Sindicam, se reúnem nesta tarde desta quinta-feira (19) em Santos para deliberar sobre uma paralisação nacional.
A alta de 18,86% no diesel desde o fim de fevereiro, reflexo do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, colocou o petróleo tipo Brent acima de US$ 100, patamar que, segundo as entidades, torna inviável a operação de grande parte da frota.
O governo federal reagiu com uma Medida Provisória que estabelece multas de até R$ 10 milhões para embarcadores reincidentes que pagarem fretes abaixo do piso mínimo, além da possibilidade de suspensão do registro de transportadoras por até dois anos.
O Planalto também zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e negocia com os estados a redução do ICMS, com oferta de compensar metade da perda de arrecadação, estimada em R$ 3 bilhões mensais.
Dor econômica, não política
Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Abrava, diferencia o movimento atual das tentativas de paralisação dos últimos anos.
“Pode ver que todas essas greves que foram chamadas nos últimos anos… eram de cunho político. Nesse exato momento, a dor é econômica, como em 2018”, afirmou.
A paralisação de 2018 durou dez dias, causou desabastecimento generalizado e custou 1,2 ponto percentual do PIB.
Os sinais de estresse já aparecem no abastecimento. Em Santa Catarina, Pinhalzinho decretou estado de emergência e exige que postos reservem 10% dos estoques para serviços essenciais. A Abicom emitiu alerta de risco pontual de falta de diesel em abril, mesmo sem paralisação formal.
A nova MP também prevê integração entre ANTT e Receita Federal para que o CIOT bloqueie automaticamente fretes abaixo da tabela oficial.
“A empresa que não cumpre a tabela do frete pode ser impedida de contratar frete, tanto o embarcador, quanto o transportador”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho.
Leia também:
Incerteza sobre o desfecho
O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, avalia que as medidas têm alcance limitado.
“O governo tenta reagir de alguma forma, coloca isenção, diminui o imposto, mas não é suficiente para impedir todo o impacto negativo do aumento do preço na economia nesse momento”, disse. Sobre o desfecho, mantém cautela: “Algo vai acontecer, mas não dá pra ter ideia da magnitude”.
Há vozes que minimizam o risco de adesão em massa.
“Eu acredito que não vai ter paralisação”, disse Júlio César Zimmermann, presidente do Sinpeb em Santa Catarina.
O resultado da assembleia em Santos, prevista para esta tarde, deve definir o rumo dos próximos dias.






