O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu ontem a taxa Selic de 15% para 14,75%, dando início ao ciclo de flexibilização monetária mais aguardado pelo mercado financeiro brasileiro. A decisão veio em linha com as expectativas, mas o destaque ficou para os sinais sobre o ritmo dos próximos cortes — especialmente diante do aumento das incertezas geopolíticas provocadas pela guerra no Irã.
Para os economistas David Beker, Natacha Perez e Gustavo Mendes, do Bank of America (BofA), a decisão foi adequada, mas o comunicado trouxe uma mudança relevante.
“A alteração mais relevante no comunicado foi a incorporação da visão do colegiado sobre o recente conflito no Oriente Médio“, apontam os economistas. Entretanto, o banco americano manteve suas projeções de cortes mais agressivos à frente.
Cortes da Selic
O Copom reconheceu o conflito como um fator de aumento da incerteza. No entanto, optou por não alterar o balanço de riscos para a inflação para cima — movimento interpretado pelo BofA como uma sinalização deliberada de que o BC não quer adotar um tom excessivamente hawkish.
“O colegiado afirmou que os efeitos da política monetária contracionista já se manifestaram, criando as condições para ajustes no ritmo de calibração à luz de novas informações“, destacam Beker, Perez e Mendes.
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Para o BofA, essa linguagem deixa a porta aberta para novos cortes sem comprometer o tamanho das próximas decisões.
“Interpretamos esse período como uma sinalização de abertura para novos cortes, sem comprometer o tamanho das reduções, principalmente devido à incerteza ampliada trazida pelo conflito”, explicam os economistas.
Contudo, o cenário inflacionário também merece atenção. A projeção do Banco Central para o IPCA de 2026 foi revisada para cima em 50 pontos-base, chegando a 3,9%. Apesar do câmbio mais favorável nas premissas — partindo de R$ 5,20 por dólar ante R$ 5,35 em janeiro —, a curva de petróleo menos favorável pesou na revisão.
BofA mantém projeção
Entretanto, o BofA não recuou em suas projeções.
“Continuamos esperando cortes consecutivos de 50 pontos-base nas próximas reuniões, condicionados ao desenvolvimento do conflito no Oriente Médio”, afirmam Beker, Perez e Mendes.
O banco projeta um corte final de 25 pontos-base na reunião de maio de 2027, encerrando o ciclo de flexibilização.
A visão do BofA é que os juros permanecem em nível excessivamente contracionista há tempo suficiente para justificar a continuidade dos cortes.
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