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Margens em alta mudam tese e Safra vê 45% de potencial em LWSA3

Margens em alta mudam tese e Safra vê 45% de potencial em LWSA3

A mudança ocorre após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 e a atualização das premissas

A melhora consistente das margens operacionais da LWSA (LWSA3) levou o Banco Safra a revisar sua visão sobre a companhia, elevando a recomendação de neutro para compra e aumentando o preço-alvo de R$ 4,5 para R$ 6 por ação. A mudança ocorre após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025 e a atualização das premissas.

A nova leitura reflete uma percepção mais construtiva em relação ao momento operacional da empresa, marcada por ganhos de eficiência, expansão de rentabilidade e avanço relevante na geração de caixa. Além disso, o banco ajustou seu modelo ao retirar ativos já desinvestidos, como Squid e Nextios, tornando a análise mais aderente à estrutura atual da companhia.

Expansão de margens

A LWSA encerrou o quarto trimestre de 2025 com oito trimestres consecutivos de expansão da margem operacional. O indicador saiu de cerca de 19% no primeiro trimestre de 2024 para aproximadamente 25% no fim de 2025, sinalizando uma trajetória consistente de melhora.

Segundo o Safra, esse avanço foi puxado principalmente pelo segmento de comércio, que ganhou escala e rentabilidade ao longo do período. A margem dessa divisão evoluiu de 12,9% em 2022 para 20,9% em 2025, refletindo não apenas crescimento, mas também maior eficiência operacional.

A companhia também manteve disciplina de custos e avançou na simplificação do portfólio, priorizando ativos estratégicos. Mesmo diante de questionamentos sobre o limite dessa expansão, o banco avalia que a tendência permanece positiva, com potencial para margens consolidadas entre 24% e 25% em 2026, considerando crescimento de receita entre 10% e 12%.

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Outro pilar central da tese é a forte evolução da geração de caixa. O fluxo de caixa livre após investimentos atingiu R$ 225 milhões nos 12 meses até o quarto trimestre de 2025, frente a R$ 33 milhões no mesmo período anterior.

O salto representa um crescimento de quase sete vezes em um ano, impulsionado pelo fim de compromissos relacionados a aquisições e pela captura mais evidente da alavancagem operacional. Para o Safra, essa inflexão marca uma mudança estrutural na qualidade financeira da empresa.

Nos níveis atuais, a LWSA negocia com rendimento de fluxo de caixa livre próximo de 11% em 2025. Para 2026, a projeção é de cerca de 9%, refletindo uma normalização do capital de giro, com expectativa de retorno a patamares de dois dígitos em 2027, segundo o relatório.

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Reprecificação na bolsa

Na avaliação do banco, o mercado ainda precifica a LWSA com base em uma visão antiga, mais alinhada ao cenário de 2022, quando a empresa enfrentava maiores desafios operacionais e incertezas sobre crescimento.

Atualmente, a companhia apresenta uma combinação mais equilibrada entre expansão, rentabilidade e geração de caixa, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. Além disso, o ciclo de queda de juros tende a favorecer empresas com perfil de crescimento, reforçando o potencial de reprecificação das ações.

O Safra também avalia que os riscos associados à inteligência artificial estão concentrados principalmente na unidade BeOnline, cujo impacto no valuation é limitado. Em um cenário de estresse com queda de 10% na receita dessa divisão, o efeito estimado no preço-alvo seria inferior a 5%.

O novo preço-alvo de R$ 6 foi calculado com base em um modelo de fluxo de caixa descontado, indicando potencial de valorização de cerca de 45% em relação aos níveis considerados pelo banco no momento da revisão.

Como complemento, o Safra utilizou uma análise por soma das partes, que apontou um intervalo de valor entre R$ 4,2 e R$ 7,1 por ação, a depender do cenário. Mesmo no topo desse intervalo, a companhia ainda negociaria com desconto frente a pares do setor de software, tanto no Brasil quanto no exterior.

Riscos no radar

Apesar da recomendação de compra, o banco destaca riscos relevantes para a tese. Entre eles, uma possível deterioração do ambiente macroeconômico, com juros mais altos e desaceleração da atividade, que podem afetar os investimentos de pequenas e médias empresas em tecnologia.

A concorrência também permanece como fator de atenção, tanto de empresas especializadas em software de gestão quanto de players internacionais. Além disso, ainda há incertezas sobre a evolução da unidade BeOnline após sua reestruturação iniciada em 2021.

Por fim, o avanço da inteligência artificial pode intensificar a competição justamente no segmento mais sensível da companhia, enquanto a execução segue sendo determinante para sustentar a trajetória de melhoria operacional.