As ações da Hapvida (HAPV3) tombaram logo no início das negociações nesta quinta-feira (19) em reação aos resultados do quarto trimestre de 2025, mas decolaram 12% após a teleconferência com analistas acalmar os investidores.
O mercado torceu o nariz para a forte perda de beneficiários e a continuidade da pressão sobre margens operacionais. Segundo análise do Banco Safra, o Ebitda ajustado ficou 26% abaixo das estimativas da instituição e 29% inferior ao consenso do mercado, reforçando um cenário desafiador para a companhia.
Durante a call, a administração da Hapvida declarou que a desaceleração se deu, em maior parte, nas regiões Sul e Sudeste, regiões muito competitivas.
“São Paulo respondeu por aproximadamente 120 mil da perda dentro dos 140 mil de perda total do trimestre, que decorreram, em parte, de fatores sob controle da própria companhia, que declarou possuir alavancas dentro do produto para melhorar o ganho líquido nos próximos trimestres”, explica o time da Ativa Research, que acompanhou a call.
Sinistralidade
O trimestre já era esperado como mais fraco, em meio ao aumento da utilização dos serviços de saúde e à expansão da rede própria. No entanto, a intensidade da deterioração surpreendeu negativamente, com impactos relevantes tanto em fatores conjunturais quanto estruturais.
Entre eles, destacam-se o avanço da sinistralidade, os custos associados à ampliação da rede e a maior concorrência, especialmente na região Sudeste.
Sobre o assunto, a Hapvida declarou que 3 pontos foram vitais para o aumento dos números. O primeiro foi o início tardio do ciclo de utilização, que normalmente começa a cair em outubro e atinge menor patamar em dezembro, mas que, em 2025, só teve início na terceira semana de novembro.
O segundo é o maior custo da rede credenciada, decorrente de um deslocamento de utilização no terceiro trimestre de 2025, que, dada uma defasagem média de 60 dias no faturamento, foi capturado apenas no final do ano.
Por fim, o início da rede própria, com a inauguração de novos ativos, que pressionou margens no curto prazo.
O que esperar dos próximos trimestres?
Segundo a Ativa, a tese de retomada e melhora operacional foi resumida em voltar a crescer e diminuir custos ao longo de 2026.
“Com isso, a empresa abriu que está trabalhando amplamente no plano de transição do novo CEO, bem como em uma nova arquitetura organizacional que atua em diversas frentes, dentre elas: crescimento racional, foco na experiência do cliente e disciplina de capital com uso de tecnologia”, aponta a análise.
A Hapvida salientou que está realizando diversos estudos em diferentes áreas, tanto operacionais quanto na gestão executiva, para esse fim.
“No curto prazo, adiantaram que enxergam, a partir de janeiro e fevereiro, uma melhora sequencial, dado um ambiente mais normalizado”, conclui a Ativa.
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