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Casas Bahia (BHIA3) sobe após Investor Day, mas mercado ainda cobra execução

Casas Bahia (BHIA3) sobe após Investor Day, mas mercado ainda cobra execução

Analistas veem avanço na estratégia, na disciplina financeira e nas avenidas de rentabilidade da varejista, mas ainda cobram execução e melhora consistente dos resultados

A repercussão do Investor Day do Grupo Casas Bahia (BHIA3) foi positiva entre analistas nesta terça-feira (24), com destaque para a maior clareza da estratégia, o reforço da disciplina de capital e as novas frentes para sustentar rentabilidade

Ainda assim, o tom predominante entre as casas de análise foi de cautela. Embora a companhia tenha mostrado avanços em sua reestruturação, o mercado ainda quer ver esses vetores se traduzirem de forma mais consistente em lucro e geração de caixa

As ações da varejista subiam 1,74%, a R$ 2,92, por volta de 12h54.

No evento, a administração detalhou o roteiro para a próxima fase da companhia, já depois de um processo intenso de turnaround iniciado em 2023. 

A mensagem captada pelos analistas foi a de que a Casas Bahia começa a sair de uma etapa mais defensiva, de reequilíbrio financeiro e operacional, para tentar entrar em um ciclo de criação de valor mais sustentável. Esse movimento, no entanto, ainda depende de execução.

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Safra, XP e Bradesco BBI convergiram na leitura de que a companhia apresentou uma agenda mais organizada e coerente para os próximos trimestres

O ponto mais importante foi o reforço de que a rentabilidade deverá vir menos de uma aposta em crescimento acelerado e mais de alavancas ligadas à eficiência, estrutura de capital e monetização da base de clientes.

Eficiência e capital

Entre os destaques do Investor Day, a gestão voltou a enfatizar a desalavancagem do balanço, a melhora da estrutura financeira e o foco em retorno sobre o capital investido

O Bradesco BBI avaliou de forma positiva justamente esse reforço de disciplina de capital, afirmando que a prioridade em eficiência operacional, e não em expansão agressiva, parece adequada para o momento da companhia.

“O pipeline de iniciativas — desde melhorias de precificação baseadas em IA até expansão dos serviços financeiros e maior tração via marketplaces — indica potencial para ganhos de produtividade e melhoria de rentabilidade ao longo dos próximos trimestres”, afirmaram Pedro Pinto e Flávia Meireles, do Bradesco BBI.

A XP (XP) também destacou que o caminho para a lucratividade foi apresentado de forma mais objetiva, apoiado em três pilares:

  • alavancagem operacional,
  • despesas financeiras menores e
  • expansão dos serviços financeiros. 

A casa chamou atenção ainda para a nova parceria com a Amazon (AMZN; AMZO34), em modelo semelhante ao acordo firmado com o Mercado Livre (MELI; MELI34), como mais uma avenida para sustentar o crescimento online e melhorar a rotação de estoque.

Além disso, a companhia reforçou sua presença nas categorias principais, que passaram a responder por 96% da receita, e indicou que o canal físico deve crescer em linha com a inflação enquanto o ambiente macroeconômico seguir pressionado, sem abertura de lojas em 2026.

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Cautela persiste

Apesar do tom mais construtivo, nenhuma das três casas adotou uma leitura plenamente otimista. Safra manteve recomendação de venda, enquanto XP e Bradesco BBI reiteraram recomendação neutra. 

O motivo é semelhante entre as análises devido os avanços estratégicos e financeiros são reconhecidos, mas ainda não bastam, por si só, para alterar de forma decisiva a visão sobre o papel.

“No entanto, apesar da conversão de dívida em capital, que deve apoiar a geração de caixa no curto prazo, gostaríamos de ver resultados mais concretos em fluxo de caixa para mudar nossa visão sobre o nome”, escreveu Vitor Pini, do Safra.