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Ação da Vale entra na lista de maiores shorts da Bolsa

Ação da Vale entra na lista de maiores shorts da Bolsa

Ações passam por uma correção por reflexo do aumento da volatilidade nos mercados, após o início do conflito no Oriente Médio

As ações da Vale (VALE3) surgiram na lista dos maiores dias de cobertura dentro do Ibovespa. O indicador revela quanto tempo os vendedores a descoberto levariam para encerrar suas posições, considerando o volume médio diário negociado da ação.

Os papeis da mineradora recuam cerca de 10% em um mês.

Segundo o Bradesco BBI, a realização recente pela qual as ações passaram parece muito mais um reflexo do aumento da volatilidade, após o início do conflito no Oriente Médio, do que, necessariamente, a precificação de um cenário adverso para a companhia.

As cotações do minério de ferro que continuam sustentadas acima dos US$ 100 por tonelada.

“Além disso, não observamos uma interrupção no fluxo de entrada de capital estrangeiro, o que sugere que ainda há compradores marginais oriundos de teses passivas (especialmente de ETFs que replicam a bolsa local)”, aponta o analista Renato Chanes.

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Impacto do conflito

O mercado do minério de ferro e demais metais está sendo frontalmente atingido pela guerra no Irã. Segundo relatório recente da consultoria Wood Mackenzie, o conflito acarretaria implicações mais substanciais para o minério de ferro e o aço. Uma companhia que tem sido diretamente afetada por essas questões é a Vale.

De acordo com o estudo, o Irã desempenha um papel central nesse ecossistema. Em 2025, era o sexto maior produtor mundial de minério de ferro e um fornecedor importante de concentrado e pelotas de alta qualidade, principalmente para a China – um dos principais destinos das exportações de minério de ferro.

“Embora as principais minas estejam localizadas em regiões remotas do interior, tornando um ataque físico direto menos provável, a infraestrutura que as suporta – redes elétricas, capacidade de transmissão e corredores logísticos – ficará sobrecarregada pelos recentes ataques”, diz trecho do relatório.

Com isso, os prêmios de risco de guerra, a indisponibilidade de embarcações e o redirecionamento de rotas ao redor do Mar Arábico elevarão ainda mais os preços de entrega, conforme prevê o relatório da consultoria.

No caso da Vale, a interrupção de rotas estratégicas pode elevar as tarifas de frete em cerca de 20% a 30%. Para a mineradora brasileira, que depende fortemente do transporte marítimo para enviar minério ao principal cliente, que é a China, isso pode levar a problemas como:

– Redução das margens;

– Aumento dos custos logísticos; ou

– Atrasos ou congestionamento nas rotas globais.

Por outro lado, a companhia brasileira pode ter como pontos positivos uma possível alta no preço do minério de ferro; menor concorrência de alguns produtores; e maior valorização do minério de alta qualidade.

Aço

Sobre o aço, especificamente, o conflito regional está se transformando em um risco real para os preços globais de tarugos, placas e vergalhões de aço. Para a Wood Mackenzie, é improvável que o mercado espere que a escassez física se manifeste; além disso, o risco será precificado rapidamente, impulsionando ainda mais um mercado siderúrgico que vem crescendo desde o início do ano.

“O Oriente Médio em geral também está vulnerável. Qualquer interrupção significativa no Estreito de Ormuz pode atrasar a entrada de sucata, semiacabados e aços, além de bloquear simultaneamente os embarques de vergalhões. A situação da China também pode ser afetada, já que o Oriente Médio responde por cerca de 13% de suas exportações de aço”, diz o documento.

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