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Ativos brasileiros ignoram “terríveis riscos fiscais”

Ativos brasileiros ignoram “terríveis riscos fiscais”

Fluxo estrangeiro já soma R$ 30 bilhões, mas gestoras alertam para riscos fiscais não precificados

O Ibovespa (IBOV) continua a subir em 2026 e, nesta quarta-feira (11), já alcança uma alta de 17,6%, próximo dos 190 mil pontos. O caminhão de dinheiro trazido pelos estrangeiros já chega a R$ 30 bilhões (dados do dia 9) e não há sinal algum de retrocesso.

“Após a estabilização do Ibovespa em região de máxima histórica na véspera, observamos a manutenção da relação Ibovespa/Posições vendidas em 1,03 vez”, nota o analista da Ágora Investimentos, Ricardo França.

Entretanto, cita novamente uma redução do volume de posições short, condizente com a percepção de que não há confiança em apostas contrárias ao fluxo de capital estrangeiro que tem impulsionado o índice.

A Ativa Investimentos foi mais longe: “Os ativos brasileiros estão longe de precificar os terríveis riscos fiscais, uma vez que o dólar renova as mínimas e o Ibovespa as máximas”.

O fundo Verde também notou a valorização das ações no primeiro mês do ano e relatou, em relatório sobre janeiro divulgado ontem, que só aumentou “marginalmente a alocação, em especial de teses cujos múltiplos não tiveram a reprecificação causada pela entrada dos fluxos estrangeiros”.

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A asset revelou que começou a dar maior atenção para algumas empresas que se beneficiaram demasiadamente do fluxo para emergentes e que hoje pagam um prêmio de risco que pode não compensar o alto custo de capital e que, por isso, reduziu a alocação “em alguns casos”.

“Nosso cenário base é que os investimentos estrangeiros devem continuar, devido à uma combinação benéfica de dólar fraco e proximidade de corte de juros no Brasil. O nosso foco será em distinguir os exageros em meio ao pano de fundo favorável sem esquecer na incerteza eleitoral que ainda será presente”, pontua o Verde.

O relatório ressalta que “durante o mês de janeiro o juro real no Brasil (10 anos) subiu 11 pontos-base, fato ignorado pelo movimento de preços de algumas ações”.

Eleições

Para o banco Wells Fargo, a precificação atual dos mercados já aponta 55% de probabilidade para a derrota de Lula e 45% para sua reeleição.

O banco projeta que “a direita política ainda vai derrotar Lula” nos próximos meses, com candidatos focados em responsabilidade fiscal ganhando força à medida que inflação elevada e volatilidade nos mercados locais levam eleitores a optarem por mudança de rumo.

Para o Wells Fargo, o cenário-base reflete insatisfação com gastos governamentais e busca por trajetória mais sustentável para a dívida pública.

“Candidatos focados em responsabilidade fiscal e em colocar a dívida do governo em trajetória mais sustentável ganham momentum, especialmente quando disciplina fiscal é enquadrada no contexto de cortes de gastos e em inflação mais suave, taxas de juros estáveis e mercados financeiros mais calmos”, afirma o relatório.

Segundo a instituição, figuras como Flávio Bolsonaro ou Tarcísio de Freitas representam essa plataforma conservadora. Embora a maioria dos gastos orçamentários do Brasil seja rígida e difícil de ajustar sem emendas constitucionais, tentativas de reduzir despesas relacionadas à assistência social e ao setor público, além de privatizações de estatais, devem ser perseguidas.