A Fitch Ratings rebaixou a nota de classificação de crédito nacional de longo prazo da CBD (PCAR3), dona do Pão de Açúcar, de A para CCC. O degrau significa um risco muito alto de inadimplência.
A empresa já havia admitido, em seu balanço do quarto trimestre de 2025, um ‘risco de continuidade operacional’. As ações têm queda de aproximadamente 20% no ano.
O gatilho imediato é o risco de refinanciamento.
“A CBD enfrenta riscos elevados de refinanciamento, não compatíveis com seu rating anterior”, afirma a Fitch.
Há aproximadamente R$ 1,7 bilhão em dívidas vencendo entre maio e julho de 2026, e a disposição dos credores em rolar esses compromissos em condições adequadas é, segundo a agência, “altamente incerta”.
A captação de R$ 940 milhões junto ao Rabobank demonstrou algum acesso a bancos locais, mas o mercado de capitais permanece fechado para a companhia.
Sem clareza estratégica
O problema estrutural está no fluxo de caixa.
“A Fitch projeta fluxos de caixa livre negativos equivalentes a 2,8% da receita líquida em 2026 e 1,6% em 2027”, impactados pelo peso dos juros e por contingências trabalhistas e tributárias acima do esperado.
Cortes de custos e redução de investimentos ajudam, mas não resolvem. A alavancagem deve permanecer elevada, com dívida ajustada sobre EBITDAR (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação, Amortização e Custos de Reestruturação/Aluguel) próxima a 4,8 vezes em 2026.
Família Coelho Diniz
A mudança no controle acionário — a família Coelho Diniz tornou-se a principal acionista, com 24,6% do capital — ainda não trouxe clareza estratégica.
“A Fitch possui visibilidade limitada sobre a estratégia da companhia a médio e longo prazos, bem como em relação ao apetite por risco”, pondera a agência.
O ambiente externo também não favorece uma recuperação rápida. A inflação acumulada de 30% desde 2021, o endividamento das famílias e a concorrência acirrada no varejo alimentar comprimem volumes e margens.
A Fitch projeta EBITDAR de R$ 1,7 bilhão e margem de 8,8% em 2026 — números que, sem redução relevante do endividamento, não são suficientes para estabilizar o perfil de crédito da CBD.
A CBD é uma das principais redes de varejo alimentar do Brasil, com operações em 728 lojas ao final de 2025. Seus principais acionistas são a família Coelho Diniz, com 24,6% das ações, e o varejista alimentar francês Casino, com 22,5%.
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