Café
Home
Notícias
Negócios
A influência dos custos perdidos

A influência dos custos perdidos

A tendência de continuar investindo tempo, dinheiro e energia em situações que causam prejuízos permanentes

( Frase inspirada no livro Essencialismo – Gerg McKeown)

Todas as empresas que entram em crise passam por um fenômeno chamado de “influência dos custos perdidos”, que é a tendência de continuar investindo tempo, dinheiro e energia em situações que causam prejuízos permanentes, apenas porque já gastamos um dinheiro que, sabidamente, não será mais recuperado.

E quanto mais investimos mais resistentes ficamos em desistir do projeto.

A resistência em admitir que erramos nas decisões faz com que se invista cada vez mais, na tentativa de tornar viável algo inviável, na maioria dos casos pela vergonha (ainda que inconsciente) em admitir o erro.

Certa vez, atendemos uma empresa cujas dívidas foram originadas por um grande investimento numa nova linha de produção, visando a fabricação local de um produto importado.

Os equipamentos, e o pessoal treinado, tinham uma capacidade de produção de 1,2 milhão de peças/mês. Depois de mais de um ano operando (quando acabaram as carências dos empréstimos), a empresa havia produzido apenas 800.000 peças (menos do que a capacidade de um mês!), e as previsões de vendas não passavam de 1 milhão de unidades/ano.

Ainda, as parcelas do leasing dos equipamentos representavam mais de 50% dos desembolsos financeiros.

Durante meses insistimos para que a linha fosse desativada, e os equipamentos devolvidos, e sempre o acionista apresentava uma nova desculpa, ou projeções novas de vendas para manter a operação.

Até o dia em que disse que, ele querendo ou não, a linha seria desativada porque a companhia de leasing retomaria os equipamentos por falta de pagamento, e seria mais vergonhoso.

Mostrei o fluxo de caixa, as execuções de alguns bancos, e que a devolução amigável seria menos onerosa.

Por fim ele autorizou o encerramento da linha, negociamos a devolução dos equipamentos, as rescisões dos funcionários e, em menos de 8 meses, o fluxo de caixa estava equilibrado.

Situação similar ocorreu numa empresa que comprou alguns concorrentes menores. Somente quando o crédito se esgotou, e também a paciência dos credores, é que os acionistas resolveram fechar as operações deficitárias, vender equipamentos e imóveis para recuperar parte do investimento.

E a abertura de novos pontos comerciais é uma das situações mais recorrentes.

Mais uma vez, o mercado financeiro deve servir de lição. Uma das regras básicas do mercado é: “O primeiro prejuízo é o menor”.

Vocês já viram banqueiro colocar mais dinheiro em empresa inadimplente?

E quantas vezes banqueiros compram determinadas operações e fecham em seguida?

Por que que numa semana alguns ativos são o xodozinho do mercado, e na semana seguinte viram mico, e bancos saem vendendo?

A verdade é que dinheiro não tem emoção. Ninguém joga dinheiro fora por desgosto, se molhar (com lágrimas da emoção) estraga, e se rasgar por raiva não vale nada.