O volume de fusões e aquisições (M&As) deve atingir uma cifra trilionária no fim deste ano. Segundo estimativa do banco norte-americano Goldman Sachs, a projeção é que atinja algo em torno de US$ 3,8 trilhões. E isso, graças a diversos fatores, incluindo o impacto da inteligência artificial (IA) e o aumento da venda do portfólio de empresas por firmas de private equity.
Para obter uma medida do “volume puro de fusões e aquisições”, Tim Ingrassia, co-presidente de Fusões e Aquisições Globais exclui cisões da instituição norte-americana, rodadas de financiamento de empresas privadas e negócios envolvendo empresas de aquisição de propósito específico (SPACs). Usando esse método, ele afirma que o volume puro de fusões e aquisições pode atingir US$ 3,8 trilhões este ano, superando os níveis de 2025 e 2021.
E isso tudo pode ser alcançado, mesmo com toda a incerteza global, por causa das guerras no Irã e na Ucrânia.
“Os ciclos de fusões e aquisições tendem a ser previsíveis e normalmente duram de seis a sete anos. Estamos no quarto ano e, embora não seja impossível, é muito, muito difícil interromper o ritmo do ciclo”, diz ele.
De onde virá o fluxo?
E de onde virá o fluxo de negócios? Ingrassia citou diversos fatores otimistas, incluindo a pressão das empresas para melhorar suas avaliações de longo prazo diante da inteligência artificial (IA) e a necessidade do setor de private equity de vender empresas de seu portfólio de longa data e de dar retornos aos seus investidores.
Apesar disso, ele alertou que a incerteza em relação à economia global pode levar os líderes empresariais a adiarem decisões de curto prazo sobre fusões e aquisições. Diante da crise energética decorrente do conflito com o Irã, Ingrassia afirma ser difícil prever como essa última onda de volatilidade se desenrolará.
O mercado de fusões e aquisições atingiu seu pico em 2021, quando as taxas de juros caíram para perto de zero durante a pandemia de Covid-19 e os compradores aproveitaram o baixo custo de capital. A atividade de fusões e aquisições caiu mais de 41% nos dois anos seguintes, antes de se recuperar em 2024 e 2025, de acordo com dados da Dealogic e da Global Banking & Markets.
Um aspecto interessante desse ciclo, segundo ele, é que um número menor de negócios está gerando mais valor. Analisando transações de fusões e aquisições com valor superior a US$ 500 milhões, Ingrassia constatou que houve 1.080 negócios em 2025, cerca de 14% a menos que em 2021. Ainda assim, o valor das transações de M&A no ano passado foi 3,5% maior com relação ao ano anterior, de acordo com a Dealogic e a Global Banking & Markets.
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