A Genial Investimentos recomenda que os acionistas da Brava Energia (BRAV3) não aceitem a OPA parcial voluntária lançada pela Ecopetrol ao preço de R$ 23 por ação. As ações caem cerca de 6% em reação ao anúncio.
Para o analista Vitor Sousa, a oferta subavalia o ativo sob múltiplas métricas e não reflete adequadamente o potencial da companhia no atual cenário de preços do petróleo.
“Achamos a oferta realizada pela Ecopetrol como pouco atraente para o acionista da empresa e recomendamos que o acionista não participe da oferta — ao menos não ao preço de R$ 23 por ação”, afirma Sousa.
Quatro razões para rejeitar
A Genial elenca quatro argumentos centrais contra a aceitação da oferta.
O primeiro é a ausência de prêmio de controle. O segundo é que o preço está abaixo do valor implícito mesmo no cenário mais conservador das certificações de reserva da Brava — publicadas em 15 de abril, portanto as mais atualizadas disponíveis.
“O preço oferecido avalia a Brava abaixo do pior cenário possível tanto para a curva de produção, com reservas provadas 1P com 90% de chance de recuperação, quanto com o pior cenário possível em termos de taxa de desconto”, detalha o analista.
O terceiro argumento é o valuation implícito. Considerando o consenso de Ebitda entre R$ 6 bilhões e R$ 9 bilhões para 2026, o múltiplo EV/Ebitda da transação ficaria entre 2,1 e 3,2 vezes.
“Longe de apresentar prêmio significativo não apenas pela operação, mas também pelo controle do ativo”, avalia Sousa.
O quarto ponto é o cenário de petróleo. Os preços do Brent estão estruturalmente mais altos do que nas certificações de dezembro de 2025, o que deveria gerar propostas mais generosas.
“Entendemos as mágoas do mercado com a tese da Brava, mas não sugerimos vender o ativo a um preço claramente subavaliado por métricas públicas e observáveis”, reforça o analista.
Ecopetrol como compradora estratégica
Entretanto, a Genial reconhece que a entrada da Ecopetrol tem aspectos positivos.
Todos os vendedores são investidores financeiros — perfil com motivações distintas das de um comprador estratégico como a estatal colombiana, que já opera no Brasil por meio do grupo Isa, controlador da Isa Energia (ISAE4) e detentor de cerca de 15% da Taesa (TAEE11).
“A entrada de um player relevante na América do Sul pode ser interessante. A Ecopetrol entraria em uma empresa com reservas interessantes, produção on e offshore e com todas as licenças para operar”, pondera Sousa.
Contudo, a desconfiança do mercado com a Brava — acumulada ao longo de múltiplos episódios de governança e execução — segue como pano de fundo que pesa sobre qualquer movimentação envolvendo a companhia.
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