A discussão sobre modelos de remuneração é a mais quente no mercado de assessoria de investimentos hoje. O que é melhor para o cliente: o modelo comissionado ou de fee fixo? No primeiro vídeo de seu novo canal do YouTube, Juliano Custodio, CEO da EQI Investimentos, explica sua visão sobre o assunto. Resumindo: o que importa realmente é o alinhamento com o cliente. O melhor modelo depende de cada investidor.
“A narrativa aqui é que o assessor comissionado trabalha para colocar na carteira do cliente o produto que traz mais comissão para ele, não o mais adequado para o cliente”, explica Custodio sobre a crítica ao modelo tradicional. Porém, segundo o executivo, o fee fixo não resolve o problema estrutural, quando a gestora não está do lado do cliente.
Entre as distorções apontadas, Custodio destaca casos de consultorias que cobram R$ 250 mensais de quem investe R$ 100 mil. “Dá R$ 3.000 por ano. Sobre um patrimônio de R$ 100.000, são 3% ao ano”, compara, equiparando a cobrança às taxas escandalosas de fundos de grandes bancos.
Conflitos ocultos no fee fixo
O CEO da EQI também questiona consultorias que fazem parte de grupos com gestoras próprias. “Será que esse consultor vai recomendar para o cliente o fundo que entrega mais e é mais adequado ao cliente ou o da gestora que faz parte do grupo?”, provoca.
Outro ponto é a migração forçada de clientes antigos do regime de comissão para fee fixo justamente quando os investimentos já estão aplicados e não geram mais receita. Ou seja, seria como pegar uma ferramenta feita para alinhar interesses de profissionais e investidores e conseguiu usar ela justamente para tirar mais dinheiro do cliente que já pagou;
Em simulação apresentada no vídeo, com carteira inicial de R$ 500 mil ao longo de 10 anos, o modelo de comissão resultou em rentabilidade de 274,73% com custo total de 3,38%, enquanto o fee fixo (0,75% ao ano) gerou 207% e custo acumulado de 7,5%. “Numa carteira inicial de 500 mil reais, isso daria 330 mil de diferença”, calcula.
“A minha intenção aqui é só uma: fazer você entender verdadeiramente as dinâmicas de incentivos do mercado de investimentos”, conclui o executivo, defendendo transparência e vigilância do investidor sobre qualquer modelo escolhido.






