O setor de shoppings e imóveis comerciais deve começar 2026 sem grandes surpresas nos resultados do primeiro trimestre, segundo análise do Banco Safra. Mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador, o desempenho operacional segue resiliente, apoiado pelo crescimento das vendas dos lojistas acima da inflação.
Por outro lado, a desaceleração dos índices de reajuste de aluguel, especialmente o IGP, tende a limitar a expansão das receitas. A expectativa é de alta de cerca de 8% na comparação anual.
Ao mesmo tempo, o aumento da alavancagem financeira, estimada entre 1,8x e 2,3x dívida líquida sobre EBITDA, somado ao peso das despesas financeiras, deve restringir o avanço dos resultados. Com isso, o crescimento do AFFO (fluxo de caixa operacional ajustado) deve ficar em torno de 2%.
Setor de shoppings mantém operação resiliente
Entre as empresas, a Multiplan deve registrar alta de 7% na receita líquida, desconsiderando efeitos não recorrentes. O desempenho é impulsionado pela expansão do Morumbi Shopping e pela aquisição de participação no Barra Shopping.
Ainda assim, o aumento das despesas e do custo financeiro deve limitar o crescimento do AFFO da companhia a cerca de 3%.
A Iguatemi deve apresentar avanço de 11% na receita bruta, refletindo aquisições recentes e melhor desempenho da divisão de varejo. O trimestre também inclui ganhos extraordinários com a venda de participações em ativos para a XP Malls.
Sem esses efeitos, a empresa deve manter margem EBITDA estável, com crescimento mais moderado do AFFO, estimado em 2%.
No caso da Allos, a expectativa é de crescimento de 5% na receita. O resultado é apoiado pela melhora no mix de inquilinos e pelo avanço das receitas de mídia.
Ainda assim, o desempenho deve refletir os impactos do incêndio no Shopping Tijuca, em janeiro, que reduziu temporariamente a capacidade operacional do ativo. Isso deve levar a uma leve compressão de margens e crescimento de cerca de 3% no AFFO.
No segmento logístico, a Log Commercial Properties deve se destacar. A empresa deve registrar crescimento de 20% na receita, impulsionado por novas entregas e renegociações contratuais.
Mesmo com o custo financeiro ainda elevado, o FFO ajustado deve avançar 41% na comparação anual, beneficiado também por uma base mais fraca no mesmo período do ano anterior.
O quadro que se desenha para o trimestre é de continuidade do bom desempenho operacional, mas com resultados ainda pressionados pelo custo da dívida, o que limita uma expansão mais forte dos lucros.






