A Usiminas (USIM5) entregou um balanço do primeiro trimestre de 2026 acima das projeções do mercado, mas o desempenho operacional não foi suficiente para alterar a visão cautelosa do Safra sobre o papel.
O banco manteve a recomendação de venda e o preço-alvo de R$ 7,70, que implica potencial de valorização de apenas 7% frente à cotação de R$ 7,21. A ação acumula alta de 35,11% em 12 meses e de 31,7% no ano. Na manhã desta sexta-feira (24), os papéis sobem 8,88%, às 10h40.
O Ebitda ajustado de R$ 653 milhões superou em 43% a estimativa do Safra, de R$ 456 milhões, e em 26% o consenso da Visible Alpha, que projetava R$ 519 milhões. Assinado pelos analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro, o relatório classificou o resultado como positivo.
“O Ebitda subiu 56% no trimestre, principalmente devido a resultados mais fortes em aço, impulsionados por preços maiores e menor custo caixa por tonelada na siderurgia, o que mais do que compensou os volumes menores tanto em siderurgia quanto em mineração e o maior custo caixa por tonelada na mineração”, escreveram Monegaglia e Isidoro.
Siderurgia acima, mineração abaixo
O Ebitda da siderurgia atingiu R$ 544 milhões, bem acima dos R$ 327 milhões projetados pelo Safra e dos R$ 383 milhões do consenso Visible Alpha. As vendas totais de aço ficaram em linha com a estimativa, em 1,007 milhão de toneladas, com 93% destinadas ao mercado interno.
Os preços domésticos subiram 4% no trimestre, para R$ 5.213 por tonelada, também em linha. Os preços de exportação, a R$ 5.087 por tonelada, ficaram 11% abaixo da projeção, enquanto o custo caixa por tonelada, em R$ 4.455, veio 7% inferior à estimativa.
Sobre esse último ponto, os analistas fizeram uma ressalva analítica sobre a qualidade do custo reportado.
“Questionamos quanto dessa queda no custo caixa é explicada pela recente mudança de moeda funcional para o dólar, enquanto a companhia ainda reporta em real. A mudança torna mais complexo estimar matérias-primas dolarizadas em real, especialmente se elas têm um ciclo de consumo longo, de três a quatro meses entre compra e uso”, afirmaram.
Na direção oposta, o Ebitda da mineração totalizou R$ 111 milhões, abaixo dos R$ 129 milhões projetados pelo Safra e dos R$ 145 milhões do consenso. As vendas de minério de ferro ficaram em cerca de 1,9 milhão de toneladas, contra estimativa de 2,0 milhões. O preço realizado de R$ 401 por tonelada ficou em linha com a projeção, enquanto o custo caixa por tonelada, em R$ 280, veio 3% abaixo do esperado.
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Estoques em normalização
Sobre a dinâmica de curto prazo, o Safra reforçou a sinalização da administração de que o efeito das medidas antidumping aplicadas em fevereiro sobre importações de aços laminados a frio e revestidos deve se materializar de forma gradual. “Além dos resultados, a administração espera que os estoques importados normalizem nos próximos meses, o que pode abrir espaço para uma recuperação gradual dos volumes domésticos e dos preços ao longo do ano”, destacaram os analistas.
Para o segundo trimestre, a casa replicou o guidance da companhia. Na siderurgia, a expectativa é de estabilidade no Ebitda, com preços mais altos compensados por custo por tonelada mais elevado. Na mineração, os volumes de vendas devem crescer em base trimestral, mas também com custos mais altos.
O fluxo de caixa livre reportado alcançou R$ 84 milhões, bem acima da estimativa do banco, impulsionado pelo resultado operacional mais forte. A alavancagem medida por dívida líquida sobre Ebitda em reais avançou para -0,20x, ante -0,22x no quarto trimestre de 2025, com a dívida líquida subindo para -R$ 391 milhões.
Nos múltiplos projetados pelo Safra, a Usiminas negocia a 5,1 vezes EV/Ebitda em 2026, 3,3 vezes em 2027 e 2,1 vezes em 2028. O P/L projetado é de 12,2 vezes para 2026, caindo para 3,2 vezes em 2028. O FCFE yield é estimado em -5,6% em 2026, voltando ao campo positivo em 2027 (2,7%) e avançando para 11,4% em 2028.






