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Quem vence a corrida da IA: EUA ou China?

Quem vence a corrida da IA: EUA ou China?

EUA mantêm liderança em tecnologia e investimento, enquanto a China acelera na aplicação em larga escala da IA, segundo co-diretor do Goldman Sachs Global Institute

A corrida da IA entre Estados Unidos e China se tornou um dos principais termômetros da disputa geopolítica global. Mas, segundo Jared Cohen, presidente de assuntos globais e co-diretor do Goldman Sachs Global Institute, a pergunta central, “quem está vencendo a corrida da IA?”, pode estar mal formulada.

Em artigo publicado na revista Time, Cohen argumenta que a inteligência artificial “não é uma corrida de uma só categoria”. Ainda assim, ele reconhece que, no cenário atual, os Estados Unidos lideram no conjunto da obra, especialmente em chips, modelos e vendas.

Corrida da IA é disputada em várias frentes

A dianteira americana se apoia no domínio de semicondutores avançados, essenciais para treinar grandes modelos de linguagem, e em um ecossistema que reúne universidades, empresas de tecnologia e forte capacidade de financiamento. À medida que os microchips evoluem, os ganhos de desempenho tendem a beneficiar de forma desproporcional os laboratórios ocidentais.

O volume de investimento reforça essa vantagem. Embora empresas chinesas devam investir cerca de US$ 70 bilhões em IA no próximo ano, esse montante representa apenas entre 15% e 20% do total previsto para os Estados Unidos. Segundo Cohen, esse diferencial sustenta a posição americana na fronteira tecnológica, inclusive na busca pela chamada inteligência artificial geral (AGI).

Energia e infraestrutura: o desafio dos EUA

A liderança americana, no entanto, não é absoluta. Cohen alerta que gargalos na geração e transmissão de energia podem limitar o avanço dos EUA, diante da crescente demanda dos data centers. Entraves regulatórios internos também podem desacelerar projetos estratégicos, levando investidores a buscar alternativas no exterior, incluindo países do Golfo, onde a oferta de energia é abundante.

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China aposta na aplicação e na escala

Enquanto os EUA concentram esforços na fronteira da pesquisa, a China trilha outro caminho. Segundo Cohen, o sistema político centralizado de Pequim prioriza a difusão da IA na economia real — de carros autônomos e internet das coisas a aplicativos de consumo e robótica. Essa abordagem privilegia a aplicação em larga escala, permitindo que a tecnologia se integre rapidamente à indústria e ao cotidiano da população.

Ao mesmo tempo, a China mantém posição estratégica na cadeia global de suprimentos, especialmente no fornecimento de minerais críticos. As restrições de exportação de chips lideradas pelos EUA, contudo, limitam seu acesso a semicondutores avançados, criando um ponto de tensão na disputa.

Uma corrida ainda sem vencedor

Para Cohen, a natureza global da cadeia de IA impede que qualquer país alcance autossuficiência plena. Além disso, os gargalos estão mudando: memória e infraestrutura de nuvem ganham importância ao lado dos semicondutores.

“Ainda estamos nos estágios iniciais”, escreve o executivo, ressaltando que líderes precisam estruturar estratégias de longo prazo mesmo diante de incertezas.

Hoje, os Estados Unidos mantêm vantagem em capacidade tecnológica e investimento. A China, porém, acelera na aplicação prática e na consolidação de setores estratégicos. A disputa pela inteligência artificial, conclui Cohen, não será definida por uma linha de chegada única, mas por quem conseguir alinhar inovação, infraestrutura e estratégia nacional no longo prazo.