O mercado imobiliário em São Paulo encerrou dezembro com forte crescimento nas vendas e nos lançamentos, mas também com avanço expressivo nos estoques, o que eleva a cautela para 2026. Os dados foram divulgados pelo Secovi-SP e mostram expansão relevante na atividade, especialmente no segmento de baixa renda.
Segundo a entidade, foram vendidas 9,7 mil unidades no mês, alta de 15% na comparação anual, movimentando R$ 5,2 bilhões, avanço de 20% frente ao mesmo período do ano anterior. Já os lançamentos totalizaram 14,8 mil unidades (+10% a/a), com Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 10,6 bilhões, crescimento expressivo de 49%.
O estoque disponível atingiu 85,2 mil unidades, alta de 40% em relação ao ano anterior. O aumento relevante da oferta passa a ser monitorado com mais atenção por analistas, diante de um cenário macroeconômico mais restritivo.
Lançamentos imobiliários, vendas e relação entre vendas e oferta (número de unidades) em São Paulo

Mercado imobiliário em São Paulo: baixa renda lidera e média/alta enfrenta pressão
O segmento de baixa renda foi o principal motor da atividade, impulsionado pelo programa Minha Casa Minha Vida. Essa faixa concentrou 55% das unidades lançadas e 69% das vendas realizadas em dezembro.
A velocidade de vendas (VSO) atingiu 12,7% no segmento econômico, contra 7,1% nos empreendimentos voltados para famílias de renda média e alta. O desempenho reflete demanda estruturalmente elevada, além de subsídios e melhores condições de financiamento.
Já o segmento de média e alta renda mostra maior sensibilidade ao custo do crédito. Analistas do BTG Pactual avaliam que, embora dezembro tenha registrado números sólidos, parte do resultado pode estar associada ao forte volume de lançamentos no período.
Com as taxas de financiamento imobiliário em patamar elevado e perspectiva de manutenção desse cenário no curto prazo, a recuperação da demanda nesse nicho tende a ser mais lenta. Nesse contexto, o crescimento dos estoques pode sinalizar uma desaceleração gradual caso o ritmo de absorção perca força ao longo de 2026.
O desempenho recente reforça a divisão do setor entre a resiliência da baixa renda e a maior cautela no segmento de maior poder aquisitivo, tendência que deve continuar moldando o mercado nos próximos meses.






