O mercado está precificando chances de 53% a 55% para uma reeleição de Lula, aponta o banco francês em um relatório enviado a clientes nesta sexta-feira (6) e obtido pelo EuQueroInvestir.com. Os números vão em linha com as pesquisas eleitorais, explicam os economistas Dev Ashish e Phoenix Kalen.
“A combinação de gastos sociais e respeito às regras fiscais proposta por Lula pode atrair eleitores em geral e moderados, embora sua idade avançada (completa 81 anos ainda este ano) e a polarização continuem sendo riscos persistentes”, pontua o SócGén.
Já para Flávio Bolsonaro, o mercado estima as chances em cerca de 27%, principalmente por considerá-lo um candidato que representa a continuidade da marca Bolsonaro.
“A campanha de Flávio tem se baseado na consolidação de apoiadores da direita, em vez de ampliar os sinais de suas políticas, o que limita seu potencial de crescimento, a menos que a direita se una em torno dele”, explicam Ashish e Kalen.
Por fim, Tarcísio de Freitas tem apenas cerca de 15% de chances e enfrenta o ceticismo do mercado devido à incerteza sobre sua candidatura e à menor visibilidade nacional.
“Suas chances melhoram apenas se Flávio perder força ou se a direita buscar uma figura mais moderada, mas a estimativa atual sugere dificuldade em alcançar uma posição competitiva no primeiro turno sem o apoio de aliados de Bolsonaro”, diz o banco.
Em resumo, a menos que os “conservadores” se unam em torno de um único nome até meados de 2026, o mercado continua a considerar Lula o vencedor mais provável.

Como seria um governo de Lula, Flávio Bolsonaro ou de Tarcísio?
Para o SócGén, em diferentes cenários pós-eleitorais, a composição e a coesão do Congresso tornam-se o fator decisivo que molda os resultados macrofiscais.
Sob Lula, a consolidação fiscal seria adiada, a atividade econômica no curto prazo melhoraria, mas as expectativas de inflação piorariam, forçando a política monetária a permanecer restritiva por mais tempo.
“Quando Lula vence com uma coalizão fragmentada ou fraca, os resultados da política monetária tendem a ser incertos, com consolidação lenta, crescimento próximo a 2% e expectativas de inflação apenas parcialmente ancoradas, o que, por sua vez, retarda o ciclo de afrouxamento monetário”, projetam Ashish e Kalen.
Sob uma presidência de Flávio Bolsonaro, por sua vez, uma coalizão de direita/centro-direita geraria um sentimento positivo no mercado, melhora nas expectativas de inflação e um caminho mais favorável para cortes nas taxas de juros. No entanto, sem uma base sólida no Congresso, os riscos fiscais ressurgiriam (instintos populistas) e o afrouxamento monetário tornaria-se mais gradual.
Da mesma forma, Tarcísio, em conjunto com um Congresso coeso de direita, ofereceria a combinação mais favorável ao mercado — consolidação rápida, melhoria do crescimento no médio prazo e uma trajetória de política monetária mais conservadora —, mas mesmo esse cenário retornaria ao gradualismo se o apoio do Congresso for fraco.
“Em suma, é o alinhamento do Congresso, além da ideologia presidencial, que determinará a credibilidade fiscal do Brasil, a sustentabilidade do crescimento e a trajetória da política monetária”, concluem os economistas.
Cenários pós-eleitoral e implicações para os mercados, segundo o Société Générale

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