A desaceleração do IPCA-15 em março não foi suficiente para aliviar o tom das casas de análise. A prévia da inflação subiu 0,44%, abaixo dos 0,84% de fevereiro, mas acima dos 0,29% esperados por EQI Research e Banco BV. Em 12 meses, a taxa ficou em 3,90%, ante 4,10% no mês anterior.
Para as casas, o número foi menos benigno do que a desaceleração mensal pode sugerir à primeira vista.
A EQI Research classificou o dado como uma surpresa negativa, enquanto o BV também chamou atenção para o resultado acima do esperado. Em comum, as duas leituras apontam que a composição do índice segue desconfortável, com pressão relevante em alimentação e serviços.
Voláteis pesam
No dado aberto do IBGE, Alimentação e bebidas subiu 0,88% e respondeu por 0,19 ponto percentual do índice geral, enquanto Despesas pessoais avançou 0,82% e contribuiu com 0,09 ponto. Entre os itens, o maior impacto individual veio das passagens aéreas, com alta de 5,94% e influência de 0,05 ponto percentual.
“Apesar da surpresa negativa, parte do movimento concentrou-se em componentes mais voláteis, enquanto a média dos núcleos permaneceu relativamente comportada, sugerindo uma deterioração qualitativa apenas marginal”, escreveu Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Investimentos e um dos líderes da EQI Research.
Para Kautz, a piora veio principalmente de serviços, com destaque para transportes puxados pelas passagens aéreas, além de alimentação, sobretudo em itens como feijão, ovos, leite e carnes. O diagnóstico conversa com a abertura do IBGE, que mostrou aceleração da alimentação no domicílio para 1,10% em março, com altas expressivas justamente nesses produtos.
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Petróleo no radar
A parte mais cautelosa da análise da EQI Research está na leitura prospectiva. Embora a surpresa tenha vindo outra vez de itens mais voláteis, a casa avalia que o quadro ainda carrega risco de persistência inflacionária, especialmente porque o recente choque do petróleo pode não ter sido totalmente incorporado aos preços.
No BV, o foco ficou menos na discussão sobre núcleos e mais na contribuição dos grupos e subitens. O banco destacou Alimentação e bebidas como o principal vetor positivo do mês, com 0,19 ponto percentual de impacto, e apontou serviços pessoais, tubérculos, raízes e legumes e transporte público entre as principais pressões individuais do índice.
A leitura combinada das duas casas sugere que o alívio na manchete não resolve a discussão de fundo sobre inflação. O IPCA-15 veio abaixo de fevereiro, é verdade, mas acima do esperado e com uma composição que ainda inspira cautela, sobretudo porque alimentos seguem pressionados e os serviços continuam mostrando resistência.






