O BTG Pactual avaliou o poder preditivo dos principais institutos de pesquisa eleitorais em pleitos presidenciais no Brasil desde 2002, apontando o MDA como líder tanto nas eleições mais recentes quanto no agregado histórico completo, segundo relatório assinado pela analista Iana Ferrão.
A análise é estruturada em torno de dois componentes — 1º turno/última pesquisa e 2º turno/última pesquisa — e, com base neles, três camadas de síntese: pontuação anual, uma subamostra estritamente comparável recente (2018 + 2022) e o agregado histórico completo desde 2002.
“Em 2022, o MDA lidera tanto no 1º quanto no 2º turno; na pontuação anual, o MDA ocupa o primeiro lugar, seguido por Paraná e Quaest”, destaca Ferrão.
No agregado de 2018-2022, o MDA lidera a pontuação anual recente. Por componente, o instituto lidera tanto o 1º turno recente quanto o 2º turno recente. O Paraná ocupa a segunda posição na pontuação anual recente, seguido pelo Datafolha.
MDA lidera agregado histórico
No agregado completo desde 2002, o MDA lidera a pontuação geral com ajuste para históricos curtos.
“O MDA lidera a pontuação geral com shrinkage. É seguido por Datafolha, IPEC/Ibope e Quaest. Institutos com históricos mais longos tendem a classificar melhor neste exercício, pois acumulam mais observações e seu desempenho médio está menos sujeito a ruído”, explica a analista.
O ajuste para histórias curtas mitiga essa diferença, mas não a elimina. Entre os institutos mais recentes, Quaest e Paraná se destacam.

Metodologia e métrica TVD
A métrica principal é a TVD (Total Variation Distance), que mede a distância entre o vetor da pesquisa e o vetor oficial de votos válidos. Quanto menor a TVD, melhor. Uma TVD igual a zero implica alinhamento perfeito.
“A pontuação anual é a média das posições de classificação do instituto no 1º e 2º turnos. Menor = melhor. Não responde ‘quem venceu o 1º turno?’ ou ‘quem venceu o 2º turno?’; em vez disso, responde ‘quem foi mais equilibrado ao longo do ciclo como um todo?'”, pontua Ferrão.
Para tornar os resultados comparáveis entre institutos com diferentes profundidades históricas, o BTG primeiro transforma cada classificação anual em uma escala comum de 0 a 1, na qual valores mais baixos indicam melhor desempenho. Depois, calcula a média histórica de cada instituto.
“Aplicamos um leve ajuste para históricos curtos (shrinkage). A intuição é simples: quando um instituto tem poucas observações, seu resultado médio pode refletir mais ruído do que sinal. Nesses casos, puxamos parcialmente a pontuação em direção à média do grupo”, detalha.
Desempenho varia ao longo do tempo
A evidência histórica não aponta para um único instituto sistematicamente dominante em todos os ciclos, já que o desempenho varia ao longo do tempo.
“O MDA se destacou tanto nas eleições mais recentes quanto no agregado histórico desde 2002. Entre os institutos mais recentes, Paraná e Quaest também tiveram bom desempenho nas últimas duas eleições”, afirma Ferrão.
Entre os institutos tradicionais, Datafolha e IPEC/Ibope tiveram desempenho mais fraco em 2022 do que em ciclos anteriores, particularmente no 1º turno.
“Este procedimento evita duas distorções de uma vez: não supervaloriza institutos com apenas um ciclo muito forte, ao mesmo tempo que não apaga o bom desempenho de institutos mais novos. Em outras palavras, um histórico curto ainda conta, mas com maior cautela”, conclui a analista.
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