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Ações de construtoras sobem com mudanças no FGTS e no Minha Casa Minha Vida

Ações de construtoras sobem com mudanças no FGTS e no Minha Casa Minha Vida

Mudanças devem ampliar o acesso à moradia e gerar impulso para o setor imobiliário

O anúncio de novos ajustes no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), aprovados pelo Conselho de Curadores do FGTS, impulsionou as ações de construtoras na bolsa, refletindo a leitura positiva do mercado em relação ao aumento da demanda potencial por habitação.

Após a aprovação das mudanças, papéis de empresas do setor registraram forte alta, com MRV (MRVE3) subindo aproximadamente 8%, Tenda (TEND3) avançando 3%, Cury (CURY3) ganhando 2% e Direcional (DIRR3) com alta de 1% no pregão desta quarta-feira (25).

As mudanças, aprovadas na última segunda-feira (24), ampliam o alcance do programa habitacional e têm como objetivo facilitar o acesso à moradia. As novas regras passam a valer a partir de abril e incluem aumento nos limites de renda e nos tetos de valor dos imóveis.

Entre as principais medidas está a elevação das faixas de renda para enquadramento no programa. A Faixa 1 passa a contemplar famílias com renda mensal de até R$ 3.200, ante o teto anterior de R$ 2.850. Na Faixa 2, o limite sobe de R$ 4.700 para R$ 5.000.

Já na Faixa 3, o novo teto será de R$ 9.600, frente aos R$ 8.600 atuais. Por fim, a Faixa 4 terá renda máxima ampliada de R$ 12.000 para R$ 13.000, ampliando o alcance do programa para famílias de renda mais alta.

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Também foi aprovado o aumento dos tetos de valor dos imóveis para as faixas de renda mais elevadas. Na Faixa 3, o limite sobe de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Na Faixa 4, passa de R$ 500 mil para R$ 600 mil.

FGTS: impacto bilionário e uso do Fundo Social

As mudanças devem gerar um impacto adicional de aproximadamente R$ 3,6 bilhões no orçamento habitacional de 2026. O financiamento virá de recursos do Fundo Social, que somam cerca de R$ 31 bilhões, sendo R$ 25 bilhões previstos para 2026 e aproximadamente R$ 6 bilhões remanescentes de 2025.

Atualmente, as regras restringem o uso desses recursos à habitação de interesse social. No entanto, o Conselho do FGTS indicou que poderá votar, no segundo semestre de 2026, uma proposta para permitir que os recursos do Fundo Social também financiem operações da Faixa 4 do programa.

Na avaliação de analistas do Banco Safra, as medidas, embora já esperadas pelo mercado, são positivas para o setor imobiliário. A ampliação dos limites de renda e dos valores dos imóveis tende a melhorar a acessibilidade e sustentar a demanda por habitação.

Os analistas também destacam que, apesar das incertezas no cenário internacional, os orçamentos atuais já incorporam premissas conservadoras de inflação. Isso pode ajudar a mitigar pressões no curto prazo.

Na mesma linha, analistas do BTG Pactual avaliam que as mudanças são positivas para o segmento de baixa renda como um todo, com destaque para a Tenda como principal escolha no setor. O banco vê um ambiente favorável às construtoras, sustentado por demanda forte e maior disponibilidade de recursos.

Segundo o BTG, o setor deve seguir com crescimento, mantendo margens elevadas e retornos saudáveis. O banco aponta que empresas mais expostas às faixas de renda mais baixas, como a Tenda, tendem a capturar maior expansão do mercado.

Já companhias com atuação nas Faixas 3 e 4, como Cury e Direcional, devem se beneficiar do aumento do poder de compra dos consumidores. Isso reforça a perspectiva de um ano operacional positivo para o setor.