A Equatorial (EQTL3) apresentou um resultado sólido no 4TRI25, marcado por eficiência operacional, controle de custos, Ebitda, inadimplência e perdas sob controle, segundo análise da Ativa Research. Mesmo com crescimento de volumes abaixo do esperado, a companhia conseguiu compensar pressões operacionais com disciplina na gestão, entregando um desempenho considerado resiliente.
De acordo com relatório da Ativa , o destaque do trimestre foi a manutenção de indicadores operacionais saudáveis, com PMSO por consumidor crescendo abaixo da inflação e melhora na inadimplência. O mercado, no entanto, deve reagir de forma neutra no curto prazo.
Disciplina de custos sustenta resultado acima das expectativas
Apesar de uma receita líquida levemente abaixo das projeções, a Equatorial conseguiu expandir o Ebitda, que avançou 10,5% na comparação anual, atingindo R$ 3,5 bilhões no trimestre. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela gestão eficiente de despesas operacionais.
O PMSO ajustado recuou no período e cresceu apenas 2,6% por consumidor, abaixo da inflação, evidenciando a disciplina financeira da companhia. Esse controle foi fundamental para compensar a pressão vinda de custos e do desempenho mais fraco de volumes, reforçando a estratégia de eficiência operacional.
Além disso, segundo o release da companhia, houve redução relevante em despesas operacionais ajustadas e melhora na margem Ebitda, que atingiu 26,4%, indicando ganho de eficiência mesmo em um cenário desafiador.
Volumes e operação mostram resiliência, apesar de pressão
O crescimento operacional veio de forma moderada. Os volumes faturados avançaram 1,1% na comparação anual, enquanto o número de consumidores cresceu 2,0%. Já a energia distribuída teve alta de 4,9%, refletindo o avanço da geração distribuída e a resiliência do consumo.
Por outro lado, o desempenho bruto ficou abaixo das expectativas, pressionado justamente por esse crescimento mais lento. Ainda assim, a companhia manteve estabilidade nas perdas totais, em 18,1%, com controle considerado adequado frente ao cenário regulatório.
Outro ponto positivo foi a melhora nos indicadores de qualidade e continuidade do serviço (DEC e FEC), com avanço na maioria das distribuidoras no trimestre, reforçando o foco operacional.
Inadimplência melhora e reforça qualidade do resultado
A inadimplência apresentou evolução relevante no período. O indicador PECLD/ROB recuou para 0,89%, frente a 1,02% no trimestre anterior e 1,56% um ano antes, mostrando avanço consistente na qualidade da carteira.
Esse movimento foi acompanhado por leve queda na arrecadação, mas ainda dentro de níveis administráveis. A melhora no risco de crédito contribui diretamente para a previsibilidade de caixa e reforça a percepção de maior estabilidade operacional.
Além disso, a companhia segue avançando na gestão de perdas e na eficiência de cobrança, pilares importantes para sustentar resultados no longo prazo.
Estratégia financeira e dividendos sinalizam flexibilidade
No campo financeiro, a Equatorial também adotou medidas estratégicas no 4TRI25. A companhia reduziu sua alavancagem para 2,6x dívida líquida/Ebitda e propôs a diminuição do payout mínimo de dividendos de 25% para 1%.
Segundo a análise da Ativa, essa decisão deve ser interpretada como uma estratégia para aumentar a flexibilidade financeira, permitindo novos movimentos de crescimento inorgânico ou redução adicional do endividamento.
Mesmo com a redução do payout mínimo, a empresa mantém a possibilidade de distribuir dividendos acima desse nível, preservando o retorno ao acionista.
Perspectiva: recomendação de compra mantida
A Ativa reiterou recomendação de compra para EQTL3, destacando que o conjunto de resultados reforça a consistência da tese de investimento. A combinação de eficiência operacional, controle de custos e melhora na inadimplência sustenta uma visão positiva para o papel.
Embora o crescimento mais fraco de volumes e alguns efeitos não recorrentes tenham limitado parte do desempenho, o resultado geral foi considerado sólido e alinhado com uma empresa resiliente em um ambiente desafiador.
A expectativa agora recai sobre possíveis atualizações de preço-alvo após a temporada de resultados, com o mercado monitorando os próximos passos da companhia, especialmente em alocação de capital e expansão.






