Após sofrer um revés na Suprema Corte, o presidente Donald Trump disse na sexta-feira (20) que implementaria uma tarifa global de 10%. Mas, um dia depois (21), decidiu ir mais longe. Ele se valeu da Seção 122 da Lei Comercial de 1974, que poderia elevar a taxa a 15% por 150 dias. E foi o que ele fez.
Em uma publicação no Truth Social, Trump disse que as novas tarifas entrariam em vigor “imediatamente”.
“Eu, como Presidente dos Estados Unidos da América, aumentarei, com efeito imediato, a Tarifa Mundial de 10% sobre países, muitos dos quais vêm ‘explorando’ os EUA há décadas, sem retaliação (até eu chegar!), para o nível totalmente permitido e legalmente testado de 15%”, escreveu ele.
“Durante os próximos meses, o governo Trump determinará e emitirá as novas tarifas legalmente permitidas”, acrescentou.
Um press release da Casa Branca divulgado na sexta-feira afirmou que as tarifas originais de 10% entrariam em vigor na terça-feira, 24 de fevereiro.
Discurso sobre o Estado da União
Trump deverá falar mais sobre as tarifas (e muitas outras coisas) na noite da próxima terça-feira durante o seu Discurso sobre o Estado da União (SOTU, na sigla em inglês) na presença do Congresso dos Estados Unidos.
Segundo o Scotia Bank, o momento será um palco para mais um espetáculo do que algo que seja aconselhado a se interpretar literalmente.
“Não espere brevidade. O discurso do ano passado — que tecnicamente não foi um discurso sobre o Estado da União, mas de certa forma foi — bateu o recorde de verbosidade. Trump pode sentir que tem ainda mais a dizer agora, em meio à queda nos índices de aprovação e, particularmente, após a decisão da Suprema Corte sobre as tarifas. Mesmo assim, é uma boa oportunidade para fazer um balanço dos EUA após cerca de treze meses no cargo”, analisa o economista Derek Holt.
Suprema Corte
A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou na sexta-feira (20) a autoridade do presidente Donald Trump para impor tarifas sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), em revés significativo à agenda comercial do governo.
A decisão por 6 votos a 3 invalidou a base legal para as tarifas “recíprocas” e relacionadas ao fentanil impostas sob IEEPA, abrindo caminho para importadores buscarem reembolsos que podem totalizar cerca de US$ 130 bilhões. Segundo análise dos economistas sênior Tim Quinlan e Shannon Grein, do Wells Fargo, “a decisão não entrega alívio completo aos importadores afetados, mas aliviou seu fardo, mesmo que reembolsos demorem”.
O banco estima, em um relatório enviado a clientes nesta sexta-feira, que aproximadamente US$ 264 bilhões em receita tarifária foram coletados em 2025, sendo cerca de metade — US$ 130 bilhões — sob IEEPA. Contudo, reembolsos não são automáticos e devem ser buscados individualmente, chegando de forma gradual ao longo de meses ou anos.
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