A aviação executiva pode funcionar como um termômetro do clima econômico e eleitoral no Brasil, especialmente em períodos pré-eleitorais. Esse foi um dos destaques apresentados pelo CEO da Flapper, Paul Malicki, em entrevista exclusiva ao EuQueroInvestir.
O tema ganha relevância em um momento em que pesquisas recentes indicam um cenário eleitoral apertado para a próxima disputa presidencial.
Levantamento da Atlas/Bloomberg aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece tecnicamente empatado, em um eventual segundo turno, com os pré-candidatos Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, com o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro surgindo numericamente à frente por uma margem mínima de 0,01 ponto percentual.
Malicki afirmou que o comportamento de viagens de empresários e executivos — sobretudo deslocamentos para Brasília e reservas de última hora — tende a refletir o nível de confiança na economia real e o grau de cautela diante do ambiente político.
Na avaliação de Malicki, a forma como empresários e executivos organizam suas viagens, especialmente deslocamentos ligados a negócios e agendas institucionais em Brasília, funciona como um indicativo do nível de movimentação política e do grau de cautela no ambiente corporativo.
“É um assunto pouco falado, mas significativo para a economia. (…) Olhando para os dados históricos, podemos dizer que a aviação executiva funciona como um dos fatores que podem antecipar resultados ou o clima das eleições presidenciais”, afirmou o CEO da Flapper.
Aviação civil é um termômetro da economia real

Segundo Malicki, empresários que utilizam esse tipo de serviço tendem a ter uma percepção mais próxima da economia real, o que se reflete diretamente no comportamento de viagens em momentos de maior incerteza política.
“No fim das contas, o empresário que utiliza esse serviço acaba tendo uma percepção muito próxima da economia real — muitas vezes mais do que a gente — e demonstra ansiedade ou confiança conforme o cenário”, explicou.
O executivo acrescenta que a aviação executiva funciona, na prática, como um painel de instrumentos capaz de ilustrar com clareza o nível de confiança dos empresários.
“Quando a economia está positiva, vemos mais planejamento de viagens e agendas mais estruturadas. Recentemente, a janela de reserva diminuiu: antes os jatos eram reservados com três ou quatro dias de antecedência; agora, com dois ou três dias”, exemplifica Malicki, ao destacar que o padrão de reservas dos executivos ajuda a sinalizar mudanças de percepção no ambiente econômico.
Para o CEO da Flapper, o momento atual é marcado por cautela, em meio à incerteza eleitoral, o que se reflete diretamente no comportamento de deslocamento do alto escalão corporativo.
“Também notamos aumento de voos para Brasília e mais executivos colocando suas aeronaves no táxi aéreo para reduzir custos fixos. Tudo isso reflete ansiedade e planejamento mais conservador, algo típico de períodos pré-eleitorais”, concluiu.
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