A Vale (VALE3) realizou nesta terça-feira (31) o VBM Day (Vale Base Metals Day), apresentando sua estratégia de crescimento em cobre e níquel, com destaque para o plano de elevar a produção de cobre de aproximadamente 380 mil toneladas para 700 mil toneladas até 2035, concentrada em Carajás e apoiada por infraestrutura existente, segundo análise do Banco Safra assinada pelos analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro.
“A administração enfatizou que o carve-out permitiu à VBM operar com uma mentalidade focada em metais base, melhorando materialmente a entrega, reduzindo a complexidade e restaurando a credibilidade após uma década de metas não cumpridas“, destacam os analistas.
Nos últimos dois anos, a VBM superou as projeções de cobre e níquel pela primeira vez em mais de uma década, entregando melhoria de aproximadamente US$ 1,9 bilhão no Ebitda ano a ano, dos quais cerca de US$ 800 milhões vieram de ações internas.
Mercado de cobre estruturalmente apertado
A administração destacou perspectiva estruturalmente apertada para o cobre, impulsionada pela eletrificação dos sistemas de energia, incluindo veículos elétricos, renováveis, expansão de redes e crescente demanda de energia de data centers.
“Somente nos EUA, o consumo de eletricidade de data centers pode crescer de aproximadamente 5% da demanda total hoje para 14% até 2030, reforçando a pressão sobre infraestrutura intensiva em cobre”, pontuam Monegaglia e Isidoro.
No lado da oferta, teores declinantes, longos prazos de licenciamento e falta de novos projetos ocidentais continuam a restringir a capacidade de resposta. Taxas anuais de interrupção acima de aproximadamente 5% da oferta planejada limitam ainda mais a produção efetiva, reforçando um cenário de déficit plurianual.
Estratégia de crescimento em cobre
A Vale reiterou um roteiro claro e executável para crescer a produção de cobre. Bacaba já está em construção com redução de mais de 50% no capex versus conceitos iniciais e aproximadamente 23% de conclusão física, enquanto projetos como Cristalino, Alemão e o North Hub avançam sob estratégia de sequenciamento baseada em hubs.
“Opções incrementais como flotação de partículas grossas (CPF) podem desbloquear aproximadamente 30 mil toneladas por ano de cobre adicional a baixo capex incremental, reforçando upside além do plano base”, afirmam os analistas.
Níquel: foco em eficiência de custos
A administração reconheceu que os mercados de níquel permanecem desafiados devido ao excesso de oferta sustentado da Indonésia, mas enfatizou que a resposta da VBM está focada em autosuficiência em vez de monetização.
“A estratégia polimetálica no Canadá visa diluir custos fixos e melhorar créditos de coprodutos, reduzindo custos all-in sustaining de aproximadamente US$ 25.000 por tonelada para US$ 17.000 por tonelada, com reduções adicionais direcionadas para alcançar breakeven de fluxo de caixa em níveis de preços conservadores”, destacam Monegaglia e Isidoro.
A administração reiterou um framework estrito de alocação de capital orientado por retornos, com crescimento financiado internamente sob premissas conservadoras de preços. O capex de sustentação e crescimento foi reduzido para aproximadamente US$ 1,6 bilhão em 2026 e deve ter média de cerca de US$ 2 bilhões a partir de 2027, à medida que o crescimento em cobre acelera. A VBM opera com dívida líquida de aproximadamente US$ 1,2 bilhão e alavancagem de cerca de 0,4x dívida líquida sobre Ebitda.






