A trajetória da Lojas Renner (LREN3) em 2025 se assemelhou novamente a uma montanha russa, avalia o BTG Pactual em relatório assinado pelos analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon. Após tendências fortes no primeiro semestre e enfraquecimento no terceiro trimestre, a varejista reportou números operacionais decentes e acima do esperado no quarto trimestre.
“O momento até meados do ano foi notavelmente forte, apoiado por resultados melhores que o esperado no primeiro semestre e crescente confiança dos investidores na execução. Os meses recentes, no entanto, têm sido mais desafiadores”, destacam os analistas.
A receita do varejo cresceu 4,3% ano a ano para R$ 4,3 bilhões (em linha com o BTG), com vendas mesmas lojas (SSS) alta de 3,3% e ticket médio subindo 1,1%. As vendas de vestuário cresceram 4% no período, enquanto a receita consolidada do varejo por metro quadrado avançou 3%. As vendas no canal digital subiram 10%, representando 14% do GMV total.
Margem bruta surpreende
A margem bruta do varejo foi destaque positivo apesar do ambiente desafiador de consumo, subindo 70 pontos-base para 56,5% (60 pontos-base acima do BTG).
“A margem foi impulsionada por menores descontos e gestão de estoque mais eficiente — maior agilidade e flexibilidade no desenvolvimento de coleções, melhorias na reposição de lojas e melhor rentabilidade na Camicado”, explicam os analistas.
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O Ebitda ajustado consolidado (incluindo Realize) atingiu R$ 1,1 bilhão (alta de 9% ano a ano; 2% acima do BTG), com margem de 25,6% (+110 p.b.). O lucro líquido ajustado totalizou R$ 553 milhões (+13% a/a e 3% abaixo do BTG).
Inadimplência melhora na Realize
Na Realize, a inadimplência acima de 90 dias encerrou o ano em 13,8% da carteira, queda de 10 pontos-base ano a ano, refletindo políticas de crédito mais restritivas e melhores cobranças que limitaram a formação de saldos inadimplentes.
“Excluindo os efeitos da Resolução 4.966, a cobertura total seria de 14,6% (estável a/a) e a cobertura Stage 3 atingiria 105,9% (+1,1 p.p.)”, destacam.
Perspectivas
O BTG mantém recomendação de compra, com expectativa de recuperação sequencial gradual durante 2026, principalmente nas margens.
“Embora os fundamentos pareçam menos atraentes que os níveis históricos — e o sentimento de curto prazo deva permanecer limitado —, ainda esperamos recuperação gradual. A 10 vezes o preço sobre o lucro (P/L 2026E), a avaliação continua a indicar upside decente, apoiado por remuneração atrativa via dividendos e potencial recompra de ações”, concluem os analistas.






