As ações da Motiva (MOTV3) operam em queda de 2% nesta segunda-feira (27), após a companhia confirmar que o Grupo Mover comunicou sua intenção de vender a totalidade de sua participação de 14,86% no capital da concessionária. O comprador é o Bradesco BBI, que apresentou uma oferta vinculante. O negócio, avaliado em aproximadamente R$ 5 bilhões, havia sido antecipado pelo jornal O Estado de S. Paulo no último sábado.
Segundo a XP Investimentos, a transação tem valor claro do ponto de vista societário.
“Avaliamos a potencial transação de forma positiva sob a ótica de governança, uma vez que representa um passo mais decisivo em direção à esperada saída da Mover, a um preço alinhado aos níveis de mercado, reforçando o progresso rumo a uma estrutura acionária mais simples”, afirmam os analistas da corretora.
Os recursos obtidos com a venda serão destinados à desalavancagem do Grupo Mover. A operação, no entanto, não é simples. Do total da participação detida pela Mover, 10,33% estão vinculados ao acordo de acionistas da Motiva.
Incertezas na Motiva
Os controladores têm um prazo de 30 dias para decidir sobre o exercício do direito de preferência de forma proporcional. Caso optem por não exercê-lo, o novo acionista precisará aderir ao acordo, sujeito ao consentimento dos atuais controladores.
Esse ponto é central para entender por que o mercado não comemorou a notícia. A XP destaca que “persiste a incerteza quanto à futura estrutura de controle da companhia, enquanto os acionistas controladores avaliam o exercício de seus direitos de preferência.”
Antes de o Bradesco BBI apresentar sua oferta, outros potenciais compradores — incluindo fundos internacionais como La Caisse e GIC — teriam analisado a participação, mas as negociações não avançaram por expectativas de preço abaixo do valor de mercado da Motiva.
Para a XP, esse histórico de negociações frustradas é um sinal de alerta. A corretora aponta que “reportagens indicam apetite limitado do mercado pela participação da Mover em MOTV aos preços atuais”, o que reforça o cenário de pressão sobre os papéis no curto prazo.
“Tudo o mais constante, acreditamos que esses fatores podem continuar pressionando as ações no curto prazo, apesar das implicações construtivas em termos de governança”, conclui a XP.






