A JSL (JSLG3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com um resultado misto, segundo análise do Safra.
A leitura da casa é que a companhia entregou melhora operacional relevante, com avanço de margem e controle mais forte de despesas, mas esse ganho acabou parcialmente neutralizado pela pressão das despesas financeiras e por um crescimento mais fraco da receita.
O banco manteve recomendação de compra para a ação, sustentada por valuation considerado atrativo e pela evolução dos indicadores operacionais.
Ainda assim, o Safra destaca que o mercado deve olhar para o balanço com alguma cautela, já que a melhora na operação não foi suficiente para impedir uma queda expressiva do lucro ajustado no trimestre.
Operação mais forte
Na visão do Safra, o destaque positivo do trimestre ficou com o Ebitda, que somou R$ 505 milhões, alta de 16,4% na comparação anual e 7,8% acima da projeção do banco. A margem Ebitda avançou 315 pontos-base em um ano, para 20,6%, também superando a estimativa da casa.
“O bom desempenho operacional foi ofuscado por despesas financeiras líquidas mais altas”, escreveram Luiz Peçanha e Arthur Godoy, analistas do Safra.
Segundo o relatório, essa melhora operacional foi puxada, sobretudo, pela redução de 20,2% nas despesas operacionais, para R$ 97 milhões, além do reajuste de contratos ao longo do primeiro semestre e da melhora da margem bruta na venda de ativos, que passou de -6,2% para 6,8% no quarto trimestre de 2025.
A receita líquida da JSL caiu 1,5% na comparação anual, para R$ 2,5 bilhões, em linha com a expectativa do banco. O número refletiu principalmente a queda de 4,7% na divisão de serviços dedicados, em meio à redução intencional da operação de transporte de grãos e de contratos de menor rentabilidade.
Do outro lado, Intralog cresceu 7,6%, a JSL Digital avançou 15,7% e a receita com venda de ativos subiu 26,1%.
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Lucro pressionado
Se o desempenho operacional foi o principal alívio do trimestre, a última linha continuou sendo o grande ponto de incômodo. O lucro ajustado, excluindo benefícios fiscais de ICMS e juros sobre capital próprio, caiu 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 14 milhões.
Ainda que o número tenha vindo acima da expectativa do Safra, a retração mostrou que o avanço da operação ainda não chegou integralmente ao acionista.
A explicação, segundo o banco, está no avanço de 16,9% das despesas financeiras líquidas, que alcançaram R$ 284 milhões no trimestre. Esse movimento foi influenciado por uma alta de 1,9% na dívida líquida, para R$ 5,6 bilhões, e pelo aumento de 270 pontos-base no custo da dívida, para 16,1%.
Apesar disso, houve um sinal positivo na alavancagem. A relação entre dívida líquida e Ebitda recuou para 2,88 vezes no quarto trimestre de 2025, ante 3,03 vezes no trimestre anterior. Não é um detalhe menor, porque ajuda a mostrar que, mesmo com a pressão financeira, a companhia conseguiu melhorar a fotografia do balanço na margem.
“Mantemos recomendação de compra”, afirmaram os analistas do Safra.






